quarta-feira, 14 de outubro de 2026

BD1965_A. Encontros de Blueberry. Chihuahua Pearl, a mulher que regressou sem voltar

E se, um dia, quando o peso dos anos lhe tivesse roubado a força e o tempo lhe tivesse levado quase todos os sonhos, Blueberry desejasse apenas voltar a encontrar a sua adorada Chihuahua Pearl?

Imaginemos, então, uma última cavalgada. Lado a lado, como tantas vezes haviam sonhado, atravessariam as planícies douradas do Oeste, enquanto o sol se despedia lentamente das montanhas.

«Vamos em frente, Chihuahua», diria ele, com aquela ternura que raramente deixava transparecer.

E ela sorriria, com os olhos cheios da luz de outros tempos.

Depois, à sombra de uma velha árvore, descansariam finalmente. Pearl encostaria a cabeça ao ombro do seu Mike e ele, acariciando-lhe os cabelos dourados, beijá-la-ia com a doçura de quem sabe que há instantes que valem uma eternidade.

O vento deixaria de soprar. Os pássaros calar-se-iam. Até o tempo pareceria suspender a sua marcha.

Uma névoa suave envolveria os dois amantes e, lentamente, como se o próprio céu os chamasse, as suas almas elevar-se-iam, de mãos dadas, sorridentes, libertas de todas as dores e de todas as saudades.

Lá em baixo ficariam os cavalos, a velha árvore e os caminhos poeirentos de um Oeste que nunca mais os veria passar.

Blueberry, que tantas vezes cavalgara ao encontro da morte, partiria agora ao encontro do amor, acompanhando a sua Chihuahua Pearl até ao País das Caçadas Eternas.

Esta não é a história que os seus criadores escreveram. É apenas a despedida que, por um instante, ousámos imaginar para duas personagens que aprendemos a amar.

Porque talvez exista, para além do último horizonte, uma pradaria onde o sol nunca se põe, onde os cavalos nunca se cansam e onde dois corações apaixonados podem finalmente descansar.

E, nessa pradaria sem fim, Mike e Pearl continuariam a cavalgar juntos. Para sempre.

 

 

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