quinta-feira, 9 de julho de 2026

BD1926. Coleção Ciclone, 66. Lonely Rock em "Armadilha para um inocente"

 

O Ciclone 66 traz-nos quatro aventuras que vamos apresentar ao longo das prócximas semanas. Mas a primeira obriga-nos a refletir.
Não há maior desgraça, leitor, do que aquela em que a verdade se dissolve, não por mentira, mas por excesso de versões. 
Naquela noite, noite sem nome, como tantas que fazem história, houve vinho, houve palavras mais duras que o costume, e houve, sobretudo, o velho impulso humano de se meter onde não é chamado. 
Assim entrou Tom Morrow na contenda: não como culpado, mas como instrumento. Lutou e talvez nem soubesse contra quem. E quando o braço se ergueu, e o ferro falou, já não era vontade que o guiava, mas instinto. 
Porque o homem, quando cercado, não raciocina, defende-se. Eis senão quando, no auge do tumulto, alguém, mão invisível, consciência ausente, apaga a luz. Oh! fatal instante esse, em que a escuridão não é ausência de claridade, mas nascimento de todas as culpas. 
Quem viu? 
Quem sabe? 
Quem pode jurar o que ali se passou? Mas a luz voltou e com ela, não a verdade, mas a autoridade. “Considera-te preso!” — disse-se. E assim se faz justiça, muitas vezes: não pelo que se prova, mas pelo que convém concluir.
Mas será que as coisas ficarão assim? A última palavra é de Lonely Rock.

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