O Ciclone 66 traz-nos quatro aventuras que vamos apresentar ao longo das prócximas semanas. Mas a primeira obriga-nos a refletir.
Não há maior desgraça, leitor, do que aquela em que a verdade se dissolve, não por mentira, mas por excesso de versões.
Naquela noite, noite sem nome, como tantas que fazem história, houve vinho, houve palavras mais duras que o costume, e houve, sobretudo, o velho impulso humano de se meter onde não é chamado.
Assim entrou Tom Morrow na contenda: não como culpado, mas como instrumento.
Lutou e talvez nem soubesse contra quem.
E quando o braço se ergueu, e o ferro falou, já não era vontade que o guiava, mas instinto.
Porque o homem, quando cercado, não raciocina, defende-se.
Eis senão quando, no auge do tumulto, alguém, mão invisível, consciência ausente, apaga a luz.
Oh! fatal instante esse, em que a escuridão não é ausência de claridade, mas nascimento de todas as culpas.
Quem viu?
Quem sabe?
Quem pode jurar o que ali se passou?
Mas a luz voltou e com ela, não a verdade, mas a autoridade.
“Considera-te preso!” — disse-se.
E assim se faz justiça, muitas vezes: não pelo que se prova, mas pelo que convém concluir.






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