Eis que surge, altivo no seu cavalo, um filho da terra,
chamam-lhe Voz de Trovão, nome que ressoa como destino. Não teme, dizem. E quem
somos nós, pobres habitantes de cidades murmurantes, para duvidar de semelhante
afirmação? Não teme, mas, contudo, procura proteção. Ah! que paradoxo tão
humano! Porque não há coragem que dispense abrigo, nem bravura que não conheça,
ainda que por um instante, a sombra da dúvida.
Mas detenhamo-nos um pouco, como faria um prudente professor
de ciências naturais diante de um fenómeno curioso e perguntemos: que força
invisível leva este homem, símbolo de independência, a dirigir-se ao “chefe
branco”? Será o medo que não conhece, ou antes uma necessidade que não
compreende?
Assim, esta capa, que ora se destina a encerrar o número 88
da prestigiada coleção Águia, não é apenas promessa de aventura. É convite à
reflexão. Um fantasma entre os Sioux? Talvez. Mas mais fantasmagórico ainda é
este diálogo silencioso entre mundos, onde cada figura procura, à sua maneira,
um lugar de pertença.
E se me permitem a ousadia, direi: não é o índio que vagueia
como fantasma, somos nós, leitores apressados, que por vezes passamos pelas
histórias sem verdadeiramente as habitar.
Fiquemos, pois. E escutemos. Porque até a Voz de Trovão, no seu silêncio desenhado, tem muito que nos dizer.










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