Apareceu-nos, por volta dos anos noventa, este Cappa, um desses sujeitos de barba por fazer e olhar gasto, que trazem a alma curtida pelo salitre de mil desterros. Não busquem nele o heroísmo de fanfarra; é antes um melancólico da objetiva, que desembarcou no Brasil não para colher o brilho dos trópicos, mas para neles devassar a miséria.
Ei-lo, pois, mergulhado na espessura de uma Amazónia que Range em humidade e ganância, onde a natureza, essa velha mãe generosa, se vê esquartejada pelo apetite de brutos. E, com o mesmo passo desiludido, percorre a selva de pedra das metrópoles, onde o luxo insultuoso das avenidas convive, porta a porta, com a crueza da fome e o estalido seco da pólvora. Cappa limita-se a olhar, com esse cinismo de quem já viu todos os deuses caírem do altar, registando na sua câmara o que a boa sociedade, por pudor ou conveniência, prefere fingir que não existe. É uma narrativa amarga, sim senhor, mas desenhada com uma tal mestria que nela se sente o próprio cheiro da lama e o calor asfixiante do vício humano.









































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