sábado, 5 de setembro de 2026

BD1946. Daniel Boone em "Barreiras Mortais"

Aquela floresta densa escondia mais do que lobos e rios traiçoeiros.

Havia meses que carregamentos clandestinos de pólvora, peles roubadas e armas atravessavam secretamente a fronteira, enriquecendo um bando de contrabandistas sem escrúpulos. Colonos desapareciam, caçadores eram encontrados mortos junto aos trilhos, e até patrulhas armadas evitavam penetrar certas regiões depois do anoitecer.

Foi então que Daniel Boone decidiu seguir-lhes o rasto.

Conhecedor das montanhas e dos caminhos ocultos melhor do que qualquer homem vivo, Boone avançou sozinho pelas gargantas rochosas e pelos desfiladeiros cobertos de nevoeiro, aproximando-se lentamente do esconderijo dos criminosos.

Mas os contrabandistas preparavam-lhe uma armadilha.

Durante a perseguição noturna, o chão cede sob os pés de Boone, lançando-o para o fundo de um enorme fosso natural. Atordoado pela queda, levanta-se apenas para descobrir que não está sozinho.

Nas sombras da caverna ergue-se um gigantesco urso cinzento, enlouquecido pela fome e pela fúria.

Lá em cima, à beira do precipício, os bandidos observam a cena divertidos. Convencidos de que Boone jamais sairá vivo dali, atiram-lhe uma garrafa de uísque e gritam-lhe entre gargalhadas:

— “Bebe, explorador! Homem nenhum atravessa estas barreiras mortais!”

Mas desconhecem aquilo que tornou Daniel Boone uma lenda viva da fronteira.

Porque há homens que, quando cercados pela morte, descobrem dentro de si uma ferocidade ainda maior do que a das próprias feras.

Enquanto o urso avança nas trevas da caverna e os contrabandistas aguardam o desfecho lá do alto, Boone compreende que sobreviver não bastará.

Terá ainda de regressar à superfície…

e concluir a missão que jurou cumprir.

 

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