Havia meses que carregamentos clandestinos de pólvora, peles
roubadas e armas atravessavam secretamente a fronteira, enriquecendo um bando
de contrabandistas sem escrúpulos. Colonos desapareciam, caçadores eram
encontrados mortos junto aos trilhos, e até patrulhas armadas evitavam penetrar
certas regiões depois do anoitecer.
Foi então que Daniel Boone decidiu seguir-lhes o rasto.
Conhecedor das montanhas e dos caminhos ocultos melhor do
que qualquer homem vivo, Boone avançou sozinho pelas gargantas rochosas e pelos
desfiladeiros cobertos de nevoeiro, aproximando-se lentamente do esconderijo
dos criminosos.
Mas os contrabandistas preparavam-lhe uma armadilha.
Durante a perseguição noturna, o chão cede sob os pés de
Boone, lançando-o para o fundo de um enorme fosso natural. Atordoado pela
queda, levanta-se apenas para descobrir que não está sozinho.
Nas sombras da caverna ergue-se um gigantesco urso cinzento,
enlouquecido pela fome e pela fúria.
Lá em cima, à beira do precipício, os bandidos observam a
cena divertidos. Convencidos de que Boone jamais sairá vivo dali, atiram-lhe
uma garrafa de uísque e gritam-lhe entre gargalhadas:
— “Bebe, explorador! Homem nenhum atravessa estas barreiras
mortais!”
Mas desconhecem aquilo que tornou Daniel Boone uma lenda
viva da fronteira.
Porque há homens que, quando cercados pela morte, descobrem
dentro de si uma ferocidade ainda maior do que a das próprias feras.
Enquanto o urso avança nas trevas da caverna e os
contrabandistas aguardam o desfecho lá do alto, Boone compreende que sobreviver
não bastará.
Terá ainda de regressar à superfície…
e concluir a missão que jurou cumprir.






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