E eis que o destino, esse inexorável tecelão de encontros e
desgraças, o lança no encalço de um povo perseguido, os Cheyennes, cuja sina
parece já escrita não pelos deuses, mas pela cobiça dos homens que se dizem
civilizados.
Vê-se então Sam no meio de uma marcha dolorosa, onde não há
repouso nem certeza, apenas o estertor da fuga e o pressentimento da tragédia.
De um lado, os soldados da União e os interesses dos brancos que reclamam a
terra como quem reclama ouro; do outro, os filhos das planícies, expulsos do
seu próprio destino, condenados a errar como sombras sobre a relva infinita.
E no coração desta tormenta, o jovem herói não empunha a
violência como bandeira, antes se ergue como ponte frágil entre mundos que não
se entendem. Procura ele mitigar o choque dos homens, conter a fúria do
destino, e impedir que o sangue regue mais uma vez a poeira do deserto.
Mas que pode um só homem contra a marcha pesada da História?
Ainda assim persiste, pois há em si essa nobre teimosia dos que acreditam que a
justiça, ainda que tardia, não é sonho vão.
E assim se desenrola a jornada: cavalgadas sob o sol
impiedoso, encontros prenhes de tensão, silêncios mais eloquentes que
discursos, e sempre, sempre, a sombra da perda a pairar sobre os que fogem e os
que perseguem.
Nota: como podem notar esta capa da Colecção Águia está incorreta.
