Mais uma aventura da série "As mil e uma noites" apresentada pelo Jornal da BD nos fascículos 241 e 242.
sábado, 17 de outubro de 2026
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
BD1967. Uma aventura de Nosy Parker
Em Rawhide, uma sucessão de emboscadas, tiros
falhados e perseguições coloca Parker no centro de um mistério. Dois
pistoleiros profissionais, Bentley e Lane, vigiam todos os seus passos,
convencidos de que ele é o homem que procuram. Sem compreender quem deseja a sua
morte nem porquê, Parker vê-se obrigado a lutar para sobreviver.
À medida que investiga, descobre a verdade: os assassinos
confundiram-no com Will Ever, herdeiro de um grande rancho. O verdadeiro
mandante é Warren, capataz ambicioso que pretende apoderar-se da
propriedade eliminando o legítimo dono. Usando a semelhança entre Parker e
Will, os criminosos lançaram uma caçada ao homem errado.
Com coragem, astúcia e uma boa dose de resistência, Nosy Parker enfrenta pistoleiros, desmonta a conspiração e ajuda a revelar o complô. No final, a justiça prevalece, os culpados são presos e Parker segue caminho, deixando atrás de si mais uma aventura resolvida — e a prova de que, no Oeste, a sobrevivência depende tanto da rapidez do gatilho como da clareza da mente.
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
BD1966. O caçador de Paris
No Novo Mundo, reencontra o pai, Henry Du Pont,
comerciante de peles estabelecido nas colónias americanas. Entre caçadores,
postos fronteiriços, territórios indígenas e a dura vida da fronteira, Ireneo
adapta-se ao comércio das peles, faz amizade com homens como Billy e
aproxima-se de Evy, filha do influente comerciante Donald Templer.
Mas a paixão de Ireneo continua a ser a química.
Quando aceita trabalhar num laboratório ligado ao comércio de pólvora, descobre
uma verdade inquietante: Templer vende aos colonos e caçadores uma pólvora
defeituosa, colocando vidas em risco para aumentar os lucros.
O perigo torna-se realidade quando uma caravana de colonos é
atacada pelos Delaware. As armas falham devido à má qualidade da
pólvora, provocando um massacre devastador. Revoltado, Ireneo enfrenta Templer,
denunciando a sua responsabilidade moral na tragédia.
Ao descobrir a verdade sobre o pai, Evy rompe com o mundo
de ambição e mentira em que vivia. Juntos, ela e Ireneo escolhem abandonar
a riqueza fácil e começar uma nova vida simples e honesta no interior,
sustentada pelo trabalho, pela ciência e pelos valores que Lavoisier lhe
transmitira.
Misturando aventura histórica, western de fronteira, drama moral e ciência, O Caçador de Paris acompanha a jornada de um homem dividido entre o legado da Revolução, a ética científica e a luta por uma vida justa.
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
BD1965_A. Encontros de Blueberry. Chihuahua Pearl, a mulher que regressou sem voltar
E se, um dia, quando o peso dos anos lhe tivesse roubado a
força e o tempo lhe tivesse levado quase todos os sonhos, Blueberry desejasse
apenas voltar a encontrar a sua adorada Chihuahua Pearl?
Imaginemos, então, uma última cavalgada. Lado a lado, como
tantas vezes haviam sonhado, atravessariam as planícies douradas do Oeste,
enquanto o sol se despedia lentamente das montanhas.
«Vamos em frente, Chihuahua», diria ele, com aquela ternura
que raramente deixava transparecer.
E ela sorriria, com os olhos cheios da luz de outros tempos.
Depois, à sombra de uma velha árvore, descansariam
finalmente. Pearl encostaria a cabeça ao ombro do seu Mike e ele,
acariciando-lhe os cabelos dourados, beijá-la-ia com a doçura de quem sabe que
há instantes que valem uma eternidade.
O vento deixaria de soprar. Os pássaros calar-se-iam. Até o
tempo pareceria suspender a sua marcha.
Uma névoa suave envolveria os dois amantes e, lentamente,
como se o próprio céu os chamasse, as suas almas elevar-se-iam, de mãos dadas,
sorridentes, libertas de todas as dores e de todas as saudades.
Lá em baixo ficariam os cavalos, a velha árvore e os
caminhos poeirentos de um Oeste que nunca mais os veria passar.
Blueberry, que tantas vezes cavalgara ao encontro da
morte, partiria agora ao encontro do amor, acompanhando a sua Chihuahua Pearl
até ao País das Caçadas Eternas.
Esta não é a história que os seus criadores escreveram. É
apenas a despedida que, por um instante, ousámos imaginar para duas personagens
que aprendemos a amar.
Porque talvez exista, para além do último horizonte, uma
pradaria onde o sol nunca se põe, onde os cavalos nunca se cansam e onde dois
corações apaixonados podem finalmente descansar.
E, nessa pradaria sem fim, Mike e Pearl continuariam a cavalgar juntos. Para sempre.
terça-feira, 13 de outubro de 2026
BD1965. Montana Blue em "Katryn"
Montana Blue está em São Francisco à procura do pai
desaparecido, único homem que conhece o esconderijo do tesouro do imperador
Maximiliano do México. A sua fama atrai o juiz mexicano Porfírio Giménez, que
contrata o perigoso pistoleiro basco Patxi Ezquerra para encontrá-lo.
Ao mesmo tempo, chegam da Rússia a princesa Katryn
Kamerdorff e seu tutor, o pintor francês Maurice Villot. Katryn
procura desesperadamente seu noivo desaparecido, o príncipe Igor Vanin,
dado como morto anos antes.
Ao encontrar Montana, a jovem acredita ter reencontrado
Igor, pois ele é fisicamente idêntico ao príncipe. Maurice sabe que Igor
morreu, mas teme que a verdade destrua a saúde frágil da princesa.
Sensibilizado pela dor da jovem, Montana aceita representar o papel do homem
que ela ama.
Enquanto Patxi e o juiz se aproximam, Marco, o fiel
companheiro indígena de Montana, tenta protegê-lo. A perseguição culmina em
violência, sacrifício e num duelo fatal entre Montana e Patxi.
Na esperança de devolver alguma felicidade a Katryn, Montana
concorda em casar-se com ela. Porém, no último momento, a verdade acaba
prevalecendo. Katryn compreende que ele não é Igor Vanin, mas reconhece que
aquele estranho lhe devolveu a esperança e a capacidade de amar.
Ao amanhecer, Montana parte novamente para vaguear pelo Oeste ao lado de
Marco, enquanto a princesa permanece com Maurice, guardando para sempre a
lembrança do homem que, por alguns dias, lhe devolveu um sonho.
Temas da história
- Identidade
e destino: Montana torna-se alguém que não é para aliviar o sofrimento
de outra pessoa.
- Amor
e ilusão: Katryn ama uma lembrança, mas acaba encontrando algo
verdadeiro.
- Honra:
Montana, Marco e até o juiz demonstram diferentes formas de integridade.
- Solidão
do herói: Montana permanece um homem sem lar, sempre seguindo adiante.
- A
verdade e a compaixão: às vezes a mentira nasce não da maldade, mas da
piedade.
É uma história curta, mas bastante madura. O final não oferece um “felizes para sempre”, e justamente por isso permanece na memória: Katryn perde Igor pela segunda vez, e Montana continua seu o caminho, levando consigo apenas a lembrança de um amor que nunca pôde ser realmente seu.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
BD1964_B. Encontros de Blueberry. Pearl
Chihuahua Pearl — Uma mulher de armas que não precisa de
ser salva!
Na história que apresentamos retirada de No rasto de
Blueberry, há qualquer coisa de irresistível na maneira como a nossa adorada
Chihuahua Pearl entra em cena para salvar o seu querido Mike Steve Blueberry. E
não me refiro apenas à sua beleza, ao vestido vermelho ou àquela atitude
provocadora que tão bem a caracteriza. Refiro-me, sobretudo, à extraordinária
combinação de coragem, inteligência, descaramento e temperamento explosivo que
faz dela uma das personagens femininas mais fascinantes do universo de
Blueberry.
Porque, convenhamos, o nosso tenente encontra-se numa
situação pouco digna da sua reputação! Apanhado por três patifes, desarmado,
com uma corda ao pescoço e à mercê de sujeitos que não primam pela
inteligência, Blueberry está muito longe da imagem do herói invencível que
habitualmente conhecemos.
E quem aparece para resolver o problema? Naturalmente,
Pearl!
Uma entrada triunfal
O primeiro mérito de Pearl está na maneira como domina
imediatamente a situação. Em vez de se deixar intimidar pelos três mexicanos,
enfrenta-os com uma segurança desconcertante. Não precisa de levantar a voz nem
de fazer grandes ameaças. A sua simples presença altera o equilíbrio de forças.
E há um pormenor delicioso: antes de se preocupar
verdadeiramente com os bandidos, Pearl encontra tempo para censurar Blueberry
por ter faltado ao seu espetáculo!
É uma reação perfeitamente coerente com a personagem. Para
Pearl, salvar a vida ao homem de quem gosta não significa abdicar do direito de
lhe dar uma valente reprimenda.
O amor é uma coisa. A pontualidade é outra!
A inteligência por detrás da sedução
A sequência em que Pearl enfrenta os três malfeitores é
particularmente divertida.
Os bandidos, convencidos de que estão perante uma mulher
indefesa, cometem o erro fatal de confundir feminilidade com fraqueza. Quando
exigem que lhes mostre o que esconde debaixo do vestido, julgam ter encontrado
uma oportunidade para se divertirem.
Mas Pearl percebe imediatamente como transformar a
arrogância deles numa armadilha.
A sua resposta — «BOM, JÁ QUE INSISTEM...» — é uma pequena
obra-prima de ironia.
Os homens esperam um espetáculo de pernas e rendas. Pearl
prepara-lhes um espetáculo de pólvora!
O mais interessante é que ela não vence pela força física,
mas pela rapidez de raciocínio. Conhece perfeitamente a maneira como aqueles
homens pensam e utiliza essa previsibilidade contra eles.
É uma demonstração magnífica de sangue-frio, ousadia e
inteligência prática.
Uma pistoleira à altura de Blueberry
Quando Pearl finalmente saca da arma, a situação inverte-se
num instante.
Aqueles três valentões, que momentos antes se divertiam à
custa de um homem prestes a ser enforcado, descobrem que escolheram a mulher
errada para as suas brincadeiras.
E Pearl não hesita.
O seu desempenho tem uma qualidade particularmente
interessante: ela age com a mesma determinação que admiramos em Blueberry, mas
sem perder a personalidade própria.
Não se transforma numa versão feminina do tenente. Continua
a ser Chihuahua Pearl, com toda a sua elegância, irreverência e teatralidade.
O vestido vermelho, as luvas, as plumas e a beleza
exuberante não são obstáculos à sua coragem. Fazem parte dela.
E depois do salvamento... o castigo!
É aqui que a história atinge, para mim, o seu ponto mais
divertido.
Blueberry está salvo. Os bandidos foram neutralizados. Seria
de esperar um reencontro romântico, talvez um abraço apaixonado, algumas
palavras ternurentas...
Mas estamos a falar de Chihuahua Pearl!
A nossa heroína não esqueceu que Mike faltou ao espetáculo.
Primeiro, trata-o com uma doçura suspeita, prometendo-lhe um
banho quente e muitos mimos. Blueberry, naturalmente, parece acreditar que o
pior já passou.
Pobre ingénuo!
O estalo que se segue é tão inesperado quanto delicioso.
E, para completar a vingança, Pearl parte a cavalo, levando
o seu amado atrás, preso pela corda, enquanto canta alegremente:
«I AM A POOR LONESOME COW-GIRL...»
É uma conclusão verdadeiramente saborosa, porque inverte por
completo os papéis tradicionais do western. O grande aventureiro, capaz de
enfrentar exércitos e pistoleiros, acaba reduzido à condição de acompanhante
involuntário de uma mulher que não admite ser contrariada.
E a verdade é que Blueberry nunca parece tão vulnerável como
quando enfrenta o temperamento de Pearl!
Apreciação final
Esta pequena aventura funciona como uma excelente homenagem
ao universo criado por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud. O humor, a ação, os
diálogos provocadores e a cumplicidade conflituosa entre os protagonistas
recuperam muito do espírito que tornou estas personagens inesquecíveis.
Mas a grande vencedora é, indiscutivelmente, Chihuahua
Pearl.
A personagem não se limita a desempenhar o papel
convencional da mulher apaixonada que corre em auxílio do seu homem. É ela quem
toma a iniciativa, controla os acontecimentos, humilha os adversários e ainda
encontra maneira de ajustar contas com Blueberry.
Há também uma dimensão afetiva por detrás de toda aquela
fúria. Pearl está zangada porque Mike lhe importa. A sua irritação, por mais
exagerada que seja, revela uma relação feita de atração, cumplicidade,
desencontros e uma permanente disputa de vontades.
Pearl salva Blueberry dos bandidos, mas não o salva das
consequências de a ter deixado à espera.
E talvez seja precisamente isso que torna esta história tão
encantadora.
Porque, no fundo, Blueberry pode ser o melhor pistoleiro do
Oeste, mas há uma batalha que dificilmente conseguirá vencer: aquela que trava
com o coração e com o génio de Chihuahua Pearl.
E digo mais: depois de ver a nossa adorada Pearl em ação,
quase dá vontade de agradecer aos três patifes por terem cometido a imprudência
de se meterem com Blueberry. Sem eles, teríamos perdido uma das mais divertidas
demonstrações de que, neste casal, quem manda verdadeiramente é ela!
Mas o desfecho podia ser bem diferente… tal como veem nesta
página.
domingo, 11 de outubro de 2026
BD1964_A. Encontros de Blueberry. Cartland
Novembro de 1865. A Guerra de Secessão terminou, mas o Oeste
americano continua a reservar surpresas ao tenente Mike Steve Blueberry.
A caminho do Forte Mescalero, uma simples paragem junto a um
riacho transforma-se num encontro inesperado com Jonathan Cartland, um homem
que conhece e respeita profundamente a natureza. Entre um tiro certeiro, uma
refeição partilhada e uma conversa junto à fogueira, nasce uma amizade entre
dois aventureiros que, apesar das diferenças, têm muito em comum.
Mas os encontros de Blueberry nem sempre são tão
tranquilos...
Algures no seu caminho espera-o também uma certa Chihuahua
Pearl, bela, impetuosa e imprevisível, capaz de lhe salvar a vida com a mesma
facilidade com que lhe dá uma bofetada!
Porque, no Oeste, os perigos nem sempre vêm de quem
aponta uma arma... e os encontros mais perigosos podem ser aqueles que fazem
bater o coração!
Hoje dedicamo-nos ao encontro com Cartland. Podia ser como na imagem que segue, mas o relato que o álbum nos dá é um tanto diferente e implicou o sacrifício de um animal.
Encontra em seguida um pequeno pedaço do álbum que nos levou a imaginar este Encontrosábado, 10 de outubro de 2026
BD1964. A grande aventura... por mares nunca dantes navegados
"O Mestre de Avis e a Fundação de Portugal
Moderno" acompanha um dos períodos mais decisivos da História de
Portugal: a crise sucessória de 1383-1385, que colocou em risco a independência
do reino e conduziu ao nascimento da Dinastia de Avis.
A narrativa inicia-se nos últimos anos do reinado de D.
Fernando I. Sem herdeiro masculino, o monarca deixa como sucessora a filha, D.
Beatriz de Portugal, casada com o rei de Castela. A possibilidade de Portugal
perder a sua autonomia provoca crescente inquietação entre a população e parte
da nobreza.
O descontentamento agrava-se devido à influência exercida
por Leonor Teles e pelo seu favorito, João Fernandes Andeiro, cuja relação é
vista por muitos como escandalosa e prejudicial aos interesses nacionais. Após
a morte de D. Fernando, Leonor Teles assume a regência, mas enfrenta uma
oposição cada vez mais forte.
Nesse contexto emerge a figura do João I de Portugal, filho
ilegítimo de D. Pedro I e Mestre da Ordem de Avis. Apoiado pelo povo de Lisboa,
por sectores da burguesia e por alguns nobres, lidera a resistência contra a
influência castelhana. O assassinato do Conde Andeiro marca o início aberto da
revolta.
A crise evolui para uma guerra pela independência. Enquanto
Castela invade Portugal para impor os direitos de D. Beatriz ao trono, o Mestre
de Avis reúne apoios e vê a sua causa fortalecida pela acção de figuras como
Nuno Álvares Pereira. As vitórias portuguesas culminam na decisiva Batalha de
Aljubarrota, onde um exército numericamente inferior derrota as forças
castelhanas.
Após a vitória, o Mestre de Avis é aclamado rei como D. João
I, inaugurando uma nova dinastia. A obra termina mostrando como a estabilidade
alcançada permitiu a Portugal iniciar uma nova etapa histórica. Sob os reis de
Avis surgem as condições políticas, económicas e culturais que conduziriam à
expansão marítima portuguesa, aos Descobrimentos e à construção de um império
ultramarino.
Temas centrais
- Defesa
da independência nacional.
- Legitimidade
do poder e sucessão dinástica.
- Conflito
entre interesses pessoais e bem comum.
- O
papel do povo na História.
- A
fundação da Dinastia de Avis como origem de uma nova era.
Final histórico
O encerramento da série parece seguir a interpretação clássica de José Garcês: a crise de 1383-1385 não foi apenas uma guerra sucessória, mas o momento fundador do Portugal moderno. A vitória de Avis assegurou a independência do reino e abriu caminho à geração que, algumas décadas mais tarde, lançaria as grandes viagens oceânicas e a epopeia dos Descobrimentos.
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
BD1963. Vance Flanagan em "Em busca do passado"
“Em Busca do Passado” começa como um western clássico de
estrada e mistério: um cavaleiro solitário encontra um homem ferido no deserto,
sem memória e perseguido apenas pela sombra de um nome temido, Clip Hite,
fora-da-lei procurado por homicídio. A partir daí, a narrativa transforma-se
numa travessia moral pelas pequenas povoações poeirentas do Oeste, onde cada
pergunta desperta suspeitas, medo e violência.
Mas por baixo da aventura de cavalos, emboscadas e
revólveres, a história trabalha um tema mais profundo: a fragilidade da
identidade humana. O homem amnésico vive dividido entre aquilo que os outros
dizem que ele é e aquilo que sente não conseguir reconhecer em si próprio. A
dúvida corrói-o lentamente: poderá um homem ser culpado sem memória dos seus
actos? E continuará a ser o mesmo homem quando perde o passado?
Vance Flanagan, figura típica do herói errante do western,
ocupa uma posição moral difícil. Entre a compaixão pelo desconhecido e o dever
perante a lei, avança pela história como uma consciência inquieta, incapaz de
abandonar um homem indefeso, mas igualmente incapaz de ignorar a possibilidade
de estar perante um assassino.
A revelação final, a existência de dois irmãos gémeos, um
ranger e outro bandido, introduz uma dimensão quase trágica e simbólica. O
conflito deixa então de ser apenas policial para se tornar moral: dois homens
fisicamente iguais representam caminhos opostos, como se o Oeste fosse também
um território onde cada homem combate continuamente aquilo em que se pode
transformar.
Com ecos do western clássico americano e do folhetim popular europeu, “Em Busca do Passado” mistura aventura, fatalismo e redenção num universo de poeira, silêncio e desconfiança, onde um simples erro de identidade pode decidir o destino de uma vida.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
BD1962. Violência em Santo António
terça-feira, 6 de outubro de 2026
BD1961. Bessy em "Lobo e Blanca"
Lobo e Branca não são monstros. São criaturas da terra,
obedecendo à lei antiga da sobrevivência. Caçam porque têm fome, fogem porque
são perseguidos e lutam porque a natureza não lhes concedeu outra forma de
existir. Os homens, por sua vez, defendem o seu gado, as suas casas e a sua
tranquilidade. Nenhum dos lados é verdadeiramente culpado. Cada um cumpre o
destino que lhe foi imposto.
É Bessy quem ocupa o lugar mais trágico da narrativa. Entre
os homens que a criaram e os lobos que aprendeu a compreender, ela vive
dividida. O seu drama não é o da força, mas o da fidelidade. Ama os homens, mas
reconhece nos lobos uma fraternidade mais funda, feita de instinto e
sofrimento. Por isso sofre quando os vê perseguidos, e sofre igualmente quando
os vê ameaçar aqueles a quem pertence.
Miguel Torga talvez visse nela a imagem do próprio homem: um
ser suspenso entre a civilização e a natureza, incapaz de renunciar
completamente a qualquer delas. Como o médico-escritor transmontano tantas
vezes mostrou, há na vida rural uma grandeza silenciosa que nasce precisamente
desse confronto. O lobo representa a liberdade indomável; o rancho representa a
segurança e a lei. Entre ambos, Bessy procura uma impossível reconciliação.
O desfecho é revelador. Não há vitória triunfal nem derrota
absoluta. Os lobos sobrevivem e regressam à sua condição errante. Os homens
conservam a paz do seu território. E Bessy fica a contemplar a partida dos seus
antigos companheiros, como quem percebe que certos afetos não podem ser
possuídos nem aprisionados.
A aventura termina, mas deixa uma melancolia discreta. A mesma melancolia que atravessa muitas páginas de Torga: a consciência de que a natureza não conhece vencedores, apenas seres que lutam, resistem e continuam caminho. Os lobos desaparecem na distância, e nós ficamos com a sensação de que pertencem mais à montanha do que a qualquer história. Porque, no fundo, a liberdade é sempre uma estrada que se perde no horizonte.
Nota: por "acidentes de percurso", por vezes, o nome da loba aparece como "Branca" outras como "Blanca".
sábado, 3 de outubro de 2026
BD1960. Uma aventura do Zorro. A raposa e o fantoche
Mais uma aventura do Zorro, esta publicada no fascículo 238 do Jornal da BD com o título "A raposa e o fantoche". Claro que se imagina facilmente quem jogam estes papéis.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
BD1959. Guilherme Tell em "O delator"
Apesar da vigilância cerrada dos soldados austríacos, Guilherme
Tell recusa abandonar os companheiros. Com a ajuda do inseparável Kent,
organiza uma missão arriscada para penetrar em território inimigo, seguir as
patrulhas e descobrir onde os prisioneiros são mantidos.
Disfarces, emboscadas, perseguições por florestas e ataques
surpresa transformam a operação num verdadeiro jogo de astúcia e coragem. Cada
passo pode significar a captura — ou a morte. Enquanto o inimigo aperta o
cerco, Tell terá de usar não apenas a espada, mas também a inteligência e o
conhecimento dos caminhos secretos das montanhas suíças.
Quando chega finalmente a hora da libertação, uma traição
inesperada quase compromete todo o plano. Seguem-se combates ferozes, fugas
desesperadas e um confronto decisivo contra os agentes de Gessler.
Mas “O Resgate” é mais do que uma aventura de ação: é uma história sobre amizade, lealdade e sacrifício, mostrando um Guilherme Tell mais humano, disposto a arriscar tudo para salvar os seus companheiros e manter viva a luta pela liberdade da Suíça.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
BD1958. Guilherme Tell em "A prisão de Kent"
Durante uma caçada, Kent afasta-se do grupo e acaba capturado
pelos homens de Gessler, que o conduzem prisioneiro para o castelo. Os
soldados acreditam ter finalmente eliminado uma peça importante da rebelião —
mas subestimam o velho herói suíço.
Embora envelhecido, Guilherme Tell recusa abandonar o
companheiro. Sozinho, infiltra-se em florestas, segue rastos, observa patrulhas
inimigas e planeia um ousado resgate. Disfarçado e recorrendo à astúcia,
aproxima-se do acampamento inimigo para libertar Kent durante a noite.
Quando a fuga parece possível, o plano é descoberto.
Seguem-se perseguições a cavalo, emboscadas e violentos combates corpo-a-corpo
entre os rebeldes e os soldados de Gessler. Tell precisa de improvisar
continuamente para salvar o amigo e escapar ao cerco.
A aventura termina com os heróis novamente em liberdade, mas conscientes de que a luta está longe de acabar. É precisamente desse desfecho que nasce a história seguinte, “O delator”, onde uma denúncia ameaça destruir a confiança dentro da resistência.
BD1957. Kit Carson
A narrativa acompanha a vida de Christopher “Kit” Carson,
um dos mais famosos exploradores, caçadores e guias do Oeste americano.
Órfão desde criança, Kit cresce no Missouri como aprendiz de
artesão, mas cedo abandona a vida sedentária, fascinado pela fronteira
selvagem. Ainda adolescente, junta-se a caravanas comerciais rumo ao Oeste,
aprendendo os ofícios da sobrevivência: conduzir mulas, caçar, falar línguas
indígenas e viver em territórios hostis.
Ao longo dos anos, Carson torna-se caçador, explorador e
intérprete, convivendo com várias nações indígenas (cheyennes, arapahos,
delawares, apaches) vivendo tanto conflitos armados como alianças improváveis.
Participa em expedições perigosas, emboscadas, perseguições e campanhas
militares, consolidando a reputação de homem duro, conhecedor do deserto e da
cultura indígena.
A sua fama cresce quando passa a servir de guia nas
expedições de John C. Frémont, ajudando na exploração da Califórnia e do
Sudoeste americano durante um período turbulento marcado pela guerra entre os
Estados Unidos e o México.
Paralelamente, a história mostra o lado humano de Carson: os
seus casamentos, perdas familiares, amizades, crises pessoais e o contraste
entre a violência da fronteira e o desejo de estabilidade.
Nos últimos anos, Kit Carson serve como militar e agente governamental junto de tribos indígenas, continuando a atuar no Oeste até à sua morte, em 1868. A revista retrata-o como uma figura lendária, símbolo do espírito aventureiro e contraditório da conquista do Oeste americano.
terça-feira, 29 de setembro de 2026
BD1956. Kozakovich & Connors em "As mulheres negras"
Max, Connors e Kozakovich vivem de guerras, fronteiras e
negócios obscuros. Contratados para transportar um enorme carregamento de armas
destinado às forças kemalistas, acabam envolvidos numa marcha desesperada
através da Anatólia devastada. Sem animais para puxar as carroças, são as
mulheres das aldeias destruídas — viúvas, mães e camponesas vestidas de negro —
que assumem o impossível: arrastar toneladas de munições rumo a Angora, movidas
apenas pela dor, pela fome e pela esperança de recuperar a dignidade perdida.
Entre batalhas e fugas, os aventureiros descobrem que
aquelas mulheres silenciosas possuem mais coragem do que todos os soldados
armados. E percebem também que, por trás das bandeiras e discursos patrióticos,
a guerra é feita sobretudo de seres humanos tentando sobreviver ao
insuportável.
sábado, 26 de setembro de 2026
BD1955. Simbad, o marinheiro em "A montanha de fogo"
Recém-chegado à cidade, Sindbad recusa-se a fugir. Habituado
ao desconhecido, prefere investigar o estranho fenómeno. E rapidamente percebe
algo inquietante: apesar das ruas vazias, há pessoas movendo-se na escuridão.
Enquanto o vulcão abranda inexplicavelmente, grupos
misteriosos percorrem a cidade abandonada saqueando palácios, mesquitas e casas
nobres. Alguém usou a profecia — e o medo do povo — como cobertura para um
golpe cuidadosamente preparado.
Indignado, Sindbad decide permanecer na cidade proibida.
Entre incêndios subterrâneos, túneis ocultos e homens mascarados que conhecem
segredos antigos da montanha, o marinheiro descobrirá que a erupção talvez não
tenha sido natural. E quanto mais se aproxima da verdade, mais percebe que os
saqueadores servem um mestre invisível, alguém interessado não apenas nas
riquezas do emir… mas num poder enterrado sob a própria Montanha de Fogo.
Sozinho numa cidade transformada em labirinto de cinzas e sombras, Sindbad terá de impedir que o medo destrua aquilo que o fogo não conseguiu consumir.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
BD1954. Montana Blue em "O vale da tristeza"
Orgulhosa e endurecida pela desgraça, ela luta contra a
solidão e contra os homens que procuram dominá-la.\n\nMas o destino muda quando
um cavaleiro desconhecido, Montana Blue, surge trazendo consigo uma bela mulher
ferida.
A chegada desse misterioso viajante desencadeia uma cadeia
de revelações perigosas: o acidente que matou Peter Blount afinal foi um
assassinato, preparado por Curt Blow para se apoderar do rancho.\n\nEntre
emboscadas, tiros, traições e paixões ocultas,
Constance descobre que terá de enfrentar não apenas os
assassinos do pai, mas também os fantasmas da própria tristeza. Num Oeste
dominado pelo medo, Montana Blue torna-se o homem capaz de desafiar os tiranos
e devolver justiça a uma terra sem lei.
“O Vale da Tristeza” é uma aventura de amor, vingança e redenção, onde o silêncio das planícies esconde segredos mortais e onde dois corações feridos procuram reencontrar a esperança sob o Sol selvagem da fronteira.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
BD1953. Kozakovich & Connors em "Constantinopla"
Confinados num hotel e sem dinheiro nem armas, os dois são
abordados por Eva Gryff-Keller, uma aristocrata polaca transformada em
traficante de armas. Ela pretende vender um carregamento de armamento às forças
de Mustafa Kemal e pede a ajuda dos aventureiros para chegar até ele. A
proposta promete riqueza, mas também atrai a atenção dos inimigos do movimento
kemalista.
Enquanto planeiam a fuga, são perseguidos pelo implacável
coronel Ferid Bey, que recebe ordens para impedir a qualquer custo que as armas
cheguem aos nacionalistas. Entre espionagem, emboscadas, traições e jogos de
poder envolvendo ingleses, franceses, gregos e turcos, os protagonistas
atravessam um país à beira da transformação.
No final, a narrativa revela um retrato admirativo de Mustafa Kemal, apresentado como a força capaz de salvar a Turquia da ocupação e da desintegração. Perante a decadência do regime do sultão e a intervenção estrangeira, até alguns dos seus adversários acabam por reconhecer nele a única esperança para o futuro do país.
sábado, 19 de setembro de 2026
BD1952. Guilherme Tell em "Torneio de Campeões"
Mas existe um problema. Procurado pelas autoridades
imperiais e tratado como foragido, Tell está proibido de representar
oficialmente a sua comarca. Antes mesmo de empunhar a lança no torneio, terá de
escapar a soldados, atravessar territórios hostis e enfrentar nobres que
desejam vê-lo capturado antes que alcance a arena imperial.
Enquanto o povo deposita nele as esperanças de liberdade e
reconhecimento, Tell luta não apenas pela vitória, mas pelo direito de ser
ouvido pelo monarca. Cada duelo aproxima-o da possibilidade de provar que a
honra de um homem vale mais do que as acusações dos tiranos.
Entre conspirações políticas, rivalidades entre comarcas e combates espetaculares, Guilherme Tell transforma-se no campeão improvável de um povo oprimido. E, contra todas as expectativas, o homem caçado pelo império poderá tornar-se o guerreiro destinado a vencer o maior torneio do reino.





















