sábado, 29 de agosto de 2026
BD1944. Zorro em "O baile do capitão"
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
BD1943. Colecção Ciclone, 79. A queda de Jim Sanders
Ninguém sabe ao certo em que momento o pistoleiro começou
verdadeiramente a mudar. Seduzido pela cantora, e talvez pelo fascínio da vida
fora da lei, Sanders junta-se aos bandidos e participa mesmo em assaltos
violentos. Num deles, compromete-se definitivamente perante o grupo ao arriscar
tudo para provar a Mamie que merece o seu amor e a confiança do bando.
Os antigos companheiros observam-no com espanto, sem
compreender se assistem a uma traição ou a um jogo perigoso. Contudo, Sanders
continua dividido entre duas vidas: a do homem honrado que foi e a do proscrito
em que lentamente se transforma.
À medida que cresce a violência entre os criminosos, algo
muda dentro dele. Seja por arrependimento, ciúme, desilusão ou por um plano
secreto amadurecido no silêncio, Jin Sanders acaba por voltar-se contra os
próprios bandidos e desfaz a quadrilha por dentro.
No fim, o bando cai. Mas permanece o mistério essencial: Jin
Sanders entrou entre os criminosos já decidido a destruí-los… ou só percebeu
demasiado tarde que estava a tornar-se um deles? E quanto a Mamie Loren, ficou
entre ambos amor verdadeiro ou apenas manipulação e desejo?
terça-feira, 25 de agosto de 2026
sábado, 22 de agosto de 2026
BD1942. Clarke & Kubrick em "O senhor do mundo"
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
BD1941. Colecção Ciclone, 79. Através das reservas
O guia da expedição, antigo explorador da fronteira, percebe
cedo que algo está errado. Os ataques indígenas tornaram-se estranhamente
coordenados, como se alguém soubesse exatamente o percurso da caravana. Além
disso, certos homens parecem mais nervosos com inspeções do que com os próprios
comanches.
A verdade revela-se aos poucos: um comerciante sem
escrúpulos esconde no interior da carroça dezenas de rifles e caixas de
munições destinadas aos indígenas. Pretende vendê-las secretamente a uma facção
guerreira que se prepara para lançar um grande ataque contra fortes e povoações
da região. Para ele, a guerra é apenas negócio.
Os índios não surgem apenas como “ameaça selvagem”, como em muitos westerns antigos; há aqui traficantes, oportunistas e interesses económicos brancos a alimentar o conflito. A fronteira deixa de ser um combate simples entre “civilização” e “barbárie”: torna-se um território onde a ganância humana fabrica a violência que depois finge combater.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
sábado, 15 de agosto de 2026
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Uma noiva para Bill, o Sorridente
É extremamente interessante e revelador a evolução editorial e artística destas coleções populares de western em Portugal e Espanha.
Francisco Cueto estabeleceu para Bill, o Sorridente uma
identidade visual relativamente clássica: o herói errante, seguro, viril, pouco
vulnerável emocionalmente. As suas aventuras pertencem ao western tradicional
de aventura contínua, muito próximo dos cowboys íntegros da escola italiana e
espanhola dos anos 50. Mesmo quando havia romance, este era episódico,
decorativo, quase obrigatório, mas nunca transformador. Bill partia sempre
sozinho.
Ora, quando surge José Luis de la Fuente, nota-se
imediatamente outra sensibilidade narrativa.
De la Fuente tinha um desenho mais dramático, mais humano e
emocionalmente carregado. Os rostos têm fadiga, peso psicológico, melancolia.
As figuras femininas ganham presença real e não apenas ornamental. E sobretudo:
ele desenhava muito bem relações humanas. Não apenas tiroteios.
Por isso não é acaso que justamente nesta aventura apareça
Françoise.
A loira não entra apenas como “rapariga da história”; ela
funciona como ameaça simbólica ao próprio mito de Bill. O western clássico vive
da mobilidade: cavalo, horizonte, estrada. O herói não pode fixar-se sem
destruir o arquétipo. Quando um autor tenta aproximar o cowboy do amor, está
quase sempre a experimentar uma humanização moderna da personagem.
E José Luis de la Fuente parece fazer exatamente isso.
O “Virginiano” não é apenas um episódio de ação: é uma
história de herança moral e possibilidade de redenção. O velho militar-bandido
percebe que falhou como homem e como pai. Bill, pelo contrário, representa para
Françoise uma hipótese de futuro honrado. Daí o pedido final do moribundo ter
tanto peso dramático.
Mas repara no detalhe essencial: a promessa de Bill acontece
perante um morto iminente.
Isto é profundamente romântico no sentido clássico — quase
teatral. O herói promete porque está diante da tragédia, da emoção extrema, do
olhar suplicante de um homem vencido. Contudo, depois, regressa o silêncio das
pradarias. E aí começa o verdadeiro conflito.
Pode um herói popular como Bill casar?
Editorialmente, quase nunca.
Porque o cowboy casado deixa de poder ser errante. O
casamento mata parcialmente a fórmula serial. Um homem com esposa e casa deixa
de atravessar livremente fronteiras, saloons, guerras e emboscadas. Perde a
solidão mítica.
Talvez por isso esta aventura tenha um sabor tão singular
dentro da série. Parece quase uma experiência narrativa: “e se Bill pudesse
amar verdadeiramente?”
E é curioso que isso aconteça justamente com um desenhador
diferente do habitual. Muitas vezes, nestas séries populares, quando entrava
outro artista, entrava também outro tom emocional. O novo desenhador
aproveitava a personagem para explorar territórios que o titular raramente
tocava.
Françoise, aliás, encaixa num modelo muito típico do
romantismo western europeu: a mulher loira, delicada, sentimental, quase
civilizadora. Ela representa casa, estabilidade, ternura — tudo aquilo que o
Oeste brutal não consegue conservar.
Por isso o final fica suspenso numa pergunta melancólica:
Bill cumprirá a promessa?
Ou continuará condenado a cavalgar sozinho, levando consigo
apenas a memória de uma rapariga loira que, por breves dias, lhe fez acreditar
que poderia existir outra vida além das pradarias?
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
BD1939. Colecção Ciclone, 79. Bill, o sorridente em "O Virginiano"
Antigo oficial de guerra, homem de disciplina severa e
inteligência fria, abandonara há anos o uniforme para comandar um bando
especializado em assaltos a carregamentos de armas. Os seus golpes eram
rápidos, calculados e quase militares; e muitos afirmavam que, se a fortuna lhe
tivesse sido favorável noutra época, teria chegado a general.
Foi durante a perseguição a um desses roubos que Bill, o
Sorridente, se cruzou pela primeira vez com Françoise.
A jovem vivia ignorando metade das atividades do pai, ou
fingindo ignorá-las, protegendo dentro de si uma esperança ingénua de que
ainda seria possível arrancá-lo à violência. Bill, habituado a saloons,
perseguições e solidão, descobriu nela algo que o perturbou profundamente: paz.
Mas os homens do Oeste raramente recebem o direito de mudar
de vida sem pagar preço elevado.
Quando um último assalto às armas “Springfield” termina em desastre, o bando é cercado nas montanhas. O Virginiano, mortalmente ferido, compreende enfim que passou toda a existência combatendo guerras inúteis. E no instante derradeiro, já sem orgulho nem autoridade, pede apenas uma coisa ao homem que aprendera a respeitar: que não abandone Françoise.
Bill, inclinado junto do velho moribundo, promete casar com
ela.
Porém, depois do enterro, quando as primeiras luzes da
madrugada se derramam sobre as pradarias silenciosas, a promessa começa a
pesar-lhe no coração como uma sentença.
Porque amar Françoise significaria deixar para trás a
estrada, o cavalo, o revólver e a liberdade amarga que sempre definiram a sua
existência.
E talvez haja homens destinados não a possuir um lar…
mas apenas a atravessá-lo por breves instantes, antes de desaparecer novamente no horizonte.




















































