sábado, 27 de junho de 2026
BD1921. Gringo em "A fuga do condenado"
quinta-feira, 25 de junho de 2026
BD1920. Montana Blue em "A dívida"
Foi no caminho, esse grande livro aberto onde o destino
escreve sem pedir licença, que encontrou o rapaz. Tinha dez anos, olhos de quem
já vira demais e mãos vazias de futuro. Não trazia nome que pesasse, nem
memória que o prendesse. Mannering olhou-o uma vez, como quem mede um terreno;
à segunda, como quem o aceita.
— Vens comigo.
E assim nasceu, não uma caridade, mas uma família.
Chamava-se Lancer. Nome breve, como se fosse ainda
provisório, à espera de crescer com o homem que viria a ser. Sob a tutela rude
e silenciosa de Mannering, aprendeu o que não se ensina em livros: a ler o céu
antes da tempestade, a escutar o chão antes do perigo, a desconfiar do homem
antes de confiar no acaso. Treze anos correram, não como tempo, mas como forja,
e deles saiu feito homem, inteiro e duro, como o ferro batido na bigorna do
Oeste indomável.
Durante esse longo intervalo, nenhuma mulher cruzara o
limiar da vida de Mannering. Não por falta delas, talvez, mas por excesso de
propósito. Todo o seu afeto, se é que tal palavra cabia nele, fora gasto
naquele rapaz que escolhera para filho.
Mas o destino, que tudo dá para depois cobrar, trouxe-a.
Chamava-se Sherry.
E não chegou como chegam as coisas simples. Chegou como
chegam as perturbações: leve no gesto, ambígua no olhar, perigosa na inocência
fingida. Não escolheu, insinuou-se. Não declarou, provocou. E, como se
brincasse com dois destinos, namoriscou ambos, pai e filho, sem jamais parecer
pertencer a nenhum.
Mannering, que enfrentara homens e desertos sem tremer,
rendeu-se. Não com a dignidade de quem ama, mas com a vertigem de quem se
perde. Amou-a como um louco e talvez fosse isso mesmo que nele despertara: uma
loucura adormecida, antiga como o seu silêncio.
Lancer, por seu turno, não era menos homem por ter sido
feito à imagem do outro. Onde o mestre caía, o discípulo não recuava. E assim,
sem palavras que resolvessem, sem leis que acudissem, ficaram os dois diante de
um abismo que só podia ter uma saída.
Matar-se-iam.
E ela?
Ah, ela não escolheria antes do tempo, porque as mulheres
como Sherry não escolhem, aguardam. Ficaria com o que restasse. Com o
sobrevivente, não por amor, mas por continuidade.
Porque, no fim, nada perderia.
É mulher. E, nesse jogo antigo onde os homens apostam a
vida, ela é sempre quem recolhe as fichas.
E foi àquele local que chegou Montana Blue…
terça-feira, 23 de junho de 2026
BD1919. Kozakovich & Connors. Uma noite de chuva de oiro
Connors, esse eterno estrangeiro, não só de terras, mas de
certezas, deixara-se cair sobre a neve como quem aceita, por um instante, a
inutilidade de caminhar. Havia nele uma indiferença estudada, quase teatral,
que ocultava mais do que revelava. Não era homem de confiar, nem de ser
confiado.
Foi então que a viu.
Não como se vê uma mulher, mas como se reconhece um enigma.
Ela ali estava, envolta em peles e altivez, como uma dessas
figuras que o frio não dobra, antes endurece. Havia no seu gesto uma elegância
que não pertencia àquele lugar — e por isso mesmo denunciava mais do que
qualquer palavra. Não era da estepe; era do mundo. E o mundo, como Connors bem
sabia, é sempre mais perigoso que o deserto.
— Então, és a esposa de Halavy? — disse ele, com aquele meio
sorriso que não pedia resposta, mas provocava uma.
Ela estremeceu — não de frio, mas de orgulho.
— Esposa? Eu? — e os seus olhos, que antes apenas
observavam, passaram a ferir. — Não me insultes.
Ah! Como são rápidas as almas a defender aquilo que nunca
aceitaram possuir… Connors reconheceu naquele ímpeto não a ofensa, mas a
revelação. Aquela mulher não pertencia a ninguém e talvez fosse esse o seu
maior perigo.
Ficaram assim, por um instante que poderia ter sido eterno:
partilhando o mesmo espaço, o mesmo frio, mas não o mesmo mundo.
Entre eles, uma chávena de metal, pobre, vulgar, passava de
mão em mão como um pacto silencioso. Não era hospitalidade; era reconhecimento.
Cada um via no outro não um aliado, mas um igual e isso bastava.
Ao longe, o motor de um camião ressoava, lembrando-lhes que
o mundo continuava, indiferente, como sempre, às pequenas tragédias e às
discretas ironias dos encontros humanos.
E a estepe, essa velha testemunha, guardava mais um segredo:
o de dois viajantes que, sem o saberem, haviam medido forças, não com armas,
mas com palavras; não com gestos, mas com silêncios.
Porque há combates, meu amigo, que não deixam mortos, mas também não deixam vencedores.
sábado, 20 de junho de 2026
BD1918. Gringo em "O cavaleiro fantasma"
Ao centro, a cena divide-se em dois mundos que se interpenetram. Em primeiro plano, Gringo, rosto tenso, olhar firme, mãos seguras na espingarda, encarna a razão prática, o homem de carne que age, que dispara, que decide. Há nele a determinação dos heróis clássicos, mas também a solidão de quem combate o desconhecido sem mapa nem consolo.
Por detrás, porém, ergue-se o verdadeiro protagonista: o “cavaleiro fantasma”. Não é figura nítida, mas sugestão, um vulto encapuzado, olhos que brilham no escuro como duas perguntas sem resposta. Não sabemos se é homem, espectro ou metáfora. E talvez aí resida a sua força: no não se deixar explicar.
Perguntará o leitor, e bem, quem persegue quem nesta composição? Será o gringo o caçador, ou já a presa de um enigma que o excede? A arma aponta para a frente, mas o perigo parece vir de trás, do invisível, do que não se pode atingir com balas.
Há ainda um detalhe curioso: os olhos que surgem na sombra, quase duplicados, como se o próprio cenário observasse. A natureza deixa de ser cenário passivo e torna-se cúmplice do mistério, uma ideia cara ao romantismo, onde o mundo exterior reflete as inquietações do espírito.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
BD1917. Montana Blue em "Bem vindo, Archie"
terça-feira, 16 de junho de 2026
BD1916. Kozakovich & Connors. O destino e o almirante Kolchak
sábado, 13 de junho de 2026
BD1915. A noiva de Lucky Luke
Como é natural, chegou o dia em que Lucky Luke havia de ter uma noiva e abandonar as pradarias para se dedicar ao terno conforto do lar. Talvez Jolly Jumper não goste muito da ideia, mas a verdade é que a noiva do cow-boy mais rápido que a própria sombra tem a sua graça.
quinta-feira, 11 de junho de 2026
BD1914. Montana Blue em "Esta terra é minha"
terça-feira, 9 de junho de 2026
BD1913. Kozakovich & Connors. A consciência dos homens
sábado, 6 de junho de 2026
BD1912. Jornal da BD VOL 30. Boule e Bill
Voltamos ao ambiente do Jornal da BD, iniciando aqui a publicação do Volume 30 com mais algumas páginas de Boule e Bill.


































