domingo, 25 de outubro de 2026

BD1971_A. Encontros de Blueberry. O filho que o tempo devolveu

Olhei demoradamente para a última página da história, onde dois homens, separados por uma vida inteira e unidos por uma mulher que já não pertencia ao mundo dos vivos, permaneciam frente a frente, e pensei que talvez fosse esta a maior das ironias do destino, não devolver aos homens aquilo que perderam, mas entregar-lhes, quando já nada esperam, a prova de que nem tudo se perdeu.

O velho chamava-se Blueberry, embora já ninguém o tratasse por esse nome, como se os nomes fossem roupas que a idade nos obriga a abandonar, e o jovem chamava-se James Stephen Holloway, nome respeitável, próprio de quem estudava Direito em Berkeley e desejava ser juiz, o que não deixa de ser curioso, pensei, que o filho de uma mulher tão avessa às regras dos homens desejasse dedicar a vida a interpretar as leis que esses mesmos homens inventaram.

A mãe chamara-se Chihuahua Pearl, ou Cassie Holloway, conforme as circunstâncias e as conveniências, mas certamente nenhum desses nomes conseguiria encerrá-la por inteiro, porque há mulheres que não cabem num nome, nem numa casa, nem sequer na memória de quem as amou. E Blueberry amara-a. Dissera-o finalmente, diante daquele rapaz que lhe trazia os olhos de uma juventude perdida e uma carta escrita pela mão da morta. “Eu amei-a, mas ela nunca deixou ninguém decidir o caminho que devia seguir”. E eu, que sempre aconselhei os outros a contemplar a passagem das coisas sem procurar detê-las, reconheço naquela confissão uma sabedoria que os anos haviam arrancado ao velho soldado, não sem sofrimento, porque compreender a liberdade dos outros é relativamente fácil, aceitá-la quando nos priva daquilo que amamos é uma das mais difíceis aprendizagens humanas.

Talvez Pearl tivesse amado Blueberry mais do que ele alguma vez soubera, talvez tivesse partido precisamente porque o amava, ou talvez tivesse simplesmente escolhido partir, sem que o amor tivesse nisso qualquer responsabilidade, pois não devemos cometer a injustiça de explicar todas as decisões de uma mulher pelo homem que deixou para trás. Demoro-me nesta ideia. A liberdade é uma palavra que todos pronunciam com entusiasmo enquanto não lhes exige uma renúncia.

Blueberry percorrera desertos, enfrentara soldados, índios, pistoleiros, aventureiros e homens sem escrúpulos, escapara à morte tantas vezes que a própria morte deveria ter acabado por considerá-lo um conhecido inconveniente, mas fora incapaz de vencer aquela mulher, não porque ela fosse mais forte do que os seus inimigos, mas porque nunca aceitara ser sua inimiga nem sua propriedade.

E eis que, muitos anos depois, quando o corpo já se inclinava para a terra e a memória se tornava mais vasta do que o futuro, chegava-lhe um jovem trazendo uma carta. As cartas dos mortos são uma forma particularmente cruel de correspondência, porque quem as recebe pode responder a todas as perguntas menos à única que verdadeiramente importa: “Por que não me disseste isto enquanto ainda podíamos falar?”.

O velho abriu a carta. Reconheceu imediatamente o estilo de Pearl, aquela insolência afectuosa, aquela maneira de insultar para esconder a ternura, como se a delicadeza fosse uma fraqueza que uma mulher do Oeste não pudesse permitir-se, e talvez tenha sido nesse instante, mais do que quando ouviu pronunciar o nome dela, que compreendeu que estava morta. Porque os mortos tornam-se verdadeiramente mortos quando reconhecemos que nunca mais acrescentarão uma palavra àquelas que deixaram. Depois olhou para o rapaz. Jim, disse. E logo a seguir, Jimmy. Duas palavras apenas, mas percebe-se que nelas cabiam cinquenta anos de ausência, todas as noites em que Blueberry poderia ter sido pai sem o saber, todos os aniversários que não celebrara, todas as perguntas que não fizera e todas as respostas que agora chegavam demasiado tarde.

Não sabemos se aquele jovem era seu filho, ou apenas o filho da mulher que amara, e talvez a distinção fosse, naquele momento, menos importante do que parecia, porque há parentescos que o sangue estabelece e outros que a memória consagra. O rapaz chorou. O velho pousou-lhe a mão na cabeça, gesto simples, quase paternal. Os homens passam grande parte da existência a procurar palavras capazes de explicar o amor, quando por vezes uma mão pousada sobre os cabelos de alguém diz mais do que todas as declarações que ficaram por fazer.

Ao longe, a família de Blueberry observava os dois homens. Havia ali uma mulher e um rapaz, havia uma casa, animais, cercas, uma vida construída depois de muitas outras vidas. O passado não regressara para destruir o presente, como tantas vezes sucede nas histórias dos homens, mas para lhe acrescentar uma verdade. Pearl não voltaria. Não desceria de um cavalo, não surgiria entre as árvores com aquele sorriso provocador que outrora fizera perder a compostura ao tenente Blueberry, não lhe chamaria patife, nem lhe exigiria explicações por ter envelhecido sem ela. Mas alguma coisa sua estava ali. Talvez nos olhos do rapaz, talvez na maneira de enfrentar um desconhecido, talvez naquela obstinação de atravessar quatro estados para entregar uma carta que poderia ter enviado pelo correio. A vida, indiferente à prudência dos filósofos, continuava a surpreender os homens até ao último instante.

Por fim, Blueberry fez uma pergunta. “Tu... tu ficas um bocado?”. Não lhe pediu que ficasse para sempre, não lhe prometeu uma herança, não lhe ofereceu um nome nem uma explicação para os anos perdidos. Pediu-lhe um bocado de tempo. O velho aventureiro, depois de uma existência passada a conquistar territórios, a atravessar fronteiras e a fugir aos homens que o perseguiam, descobrira finalmente qual era a única coisa que valia a pena pedir. Tempo. Um pouco de tempo para conhecer aquele rapaz, para lhe falar da mãe, para lhe contar como era o Oeste quando ainda havia espaço para os sonhos e para os erros, para lhe dizer que Chihuahua Pearl fora bela, indomável, contraditória, e que talvez por isso mesmo continuasse viva na memória de quem a conhecera.

É altura de fechar este belo álbum. A morte levara Pearl, mas não conseguira levar tudo, que a liberdade dela sobrevivera no filho e na recordação do homem que a amara, e que talvez o amor verdadeiro não fosse o desejo de conservar alguém para sempre, mas a capacidade de aceitar que esse alguém continue a existir para além de nós. E, se ainda pudesse dirigir-me ao velho cavaleiro do Oeste, diria “Fizeste bem, Blueberry, em não lhe pedires que fique para sempre, porque o para sempre é uma promessa que só os mortos conseguem cumprir, e mesmo esses, como acabamos de ver, nem sempre a cumprem”. Depois ficaria em silêncio.

Lá fora, o entardecer avançava. E em qualquer lugar do imenso Oeste americano, numa estrada que já não existia senão na memória dos homens, Chihuahua Pearl continuava a cavalgar, livre como sempre fora, sem olhar para trás, porque sabia que, desta vez, Blueberry não precisava de a seguir. Ela própria encontrara maneira de regressar.

sábado, 24 de outubro de 2026

BD1971. Max Fridman em "Rapsódia Húngara - Parte I"

 

 

A acção decorre em 1938, numa Europa à beira da Segunda Guerra Mundial. Enquanto as tensões políticas aumentam e os serviços secretos das grandes potências travam uma guerra silenciosa nas sombras, Budapeste transforma-se num perigoso tabuleiro de espionagem internacional.

Max Fridman, antigo agente dos serviços secretos franceses, vive afastado das intrigas políticas e procura levar uma existência discreta. Porém, é convencido a regressar ao activo quando uma rede clandestina francesa, conhecida por "Rapsódia", é desmantelada na Hungria em circunstâncias misteriosas. A missão parece simples: descobrir quem eliminou os agentes e porquê.

Ao chegar a Budapeste, Fridman vê-se envolvido numa complexa teia de conspirações, traições e identidades ocultas. Entre cafés elegantes, hotéis discretos, ruas sombrias e encontros secretos, percebe que nada é o que parece. Cada nova pista conduz a novos mistérios e a um cenário político cada vez mais ameaçador, onde espiões, nacionalistas, agentes estrangeiros e refugiados se cruzam numa atmosfera de crescente tensão. 

Mais do que uma simples aventura de espionagem, Rapsódia Húngara é um retrato da Europa Central nos últimos meses de paz antes da guerra. Giardino combina intriga política, suspense e rigor histórico, construindo uma narrativa elegante e adulta que consagrou internacionalmente a personagem Max Fridman.

Temas principais

  • Espionagem internacional na Europa pré-guerra.
  • Conflitos ideológicos dos anos 1930.
  • Identidades secretas e traição.
  • O avanço das ditaduras europeias.
  • O indivíduo confrontado com grandes acontecimentos históricos.

A primeira parte, publicada no Volume 31 do Jornal da BD, fascículo n.º 243, funciona sobretudo como introdução ao mistério: apresenta Max Fridman, o ambiente opressivo de Budapeste e as primeiras peças de uma conspiração que se revelará muito mais vasta do que inicialmente parecia.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

BD1970. Patrulha Sulista

Nos últimos dias da Guerra Civil Americana, um pequeno grupo de soldados sulistas derrotados tenta regressar a casa através das vastas e perigosas regiões do Oeste. Sob a liderança do sargento Mac, os homens sonham abandonar a guerra e retomar a vida que deixaram para trás. Porém, o destino reserva-lhes uma derradeira provação.

Durante a fuga, o grupo é atacado por inimigos inesperados e acaba disperso. Entre os sobreviventes encontra-se Mil, um jovem soldado cuja coragem o leva a sacrificar-se para salvar uma jovem apache chamada Gacela Azul do ataque de um urso. A tragédia aproxima Mac da rapariga indígena, que lhe revela os dramas e conflitos do seu povo.

Enquanto isso, Alce Trotador, um guerreiro apache orgulhoso e violento, pretende obrigar Gacela Azul a casar consigo. Convencido de que Mac morreu num acidente nas montanhas, rapta a jovem e conduz-a para o território da sua tribo. Contudo, Mac sobrevive e inicia uma perseguição implacável através de florestas, montanhas e desertos.

Ao descobrir o paradeiro de Gacela Azul, Mac enfrenta Alce Trotador num confronto decisivo. Entre a força bruta e a coragem, entre o ódio e a generosidade, desenrola-se uma luta em que a própria Gacela Azul terá de escolher entre as tradições da sua tribo e os valores que reconhece no homem que a salvou.

No final, a jovem compreende que a verdadeira grandeza não depende da raça, da origem ou da cor da pele, mas sim da bondade e da nobreza do coração. Livre da ameaça de Alce Trotador, ela parte com Mac rumo a uma nova vida, deixando para trás os fantasmas da guerra e dos preconceitos.

"Patrulha Sudista" é uma aventura western clássica, marcada por perseguições, combates, heroísmo e romance, cuja mensagem central exalta a coragem, a lealdade e a fraternidade humana acima das divisões entre povos e culturas.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

BD1969. Montana Blue em "Os viajantes do Norte"

Vindos do Norte, através de chuva, penhascos e fome, Lance Vallon e seu jovem filho Eddie vagueiam sem destino. Arruinado por sucessivos fracassos, sem terra, sem mulher e sem esperança, Vallon decide cometer o derradeiro acto de desespero: roubar um homem isolado numa cabana perdida.

Mas o homem é Montana Blue.

Em vez de chumbo, encontra pão, trabalho e uma oportunidade inesperada de recomeço. Pela primeira vez em muitos anos, Eddie conhece o calor de um lar, a promessa da escola, o sossego da rotina e a estranha ideia de futuro.

Contudo, o passado não morre facilmente.

O nome de Clay Monahan, pistoleiro temido do Leste e irmão de Lance, devolve à superfície velhos juramentos de sangue, culpas familiares e contas jamais encerradas. Quando uma pequena povoação cai sob o terror do bando de Monahan, Montana Blue vê-se arrastado para um confronto em que coragem, justiça e fraternidade serão postos à prova.

Entre duelos, perseguições e homens derrotados pela vida, Os Viajantes do Norte é um western amargo e profundamente humano sobre redenção, paternidade e a difícil viagem de regresso à dignidade.

domingo, 18 de outubro de 2026

BD1968_A. Encontros de Blueberry. A criança

Esta pequena aventura de No Rasto de Blueberry merece ser apreciada não pela quantidade de ação que apresenta, mas pela qualidade humana da sua mensagem.

Blueberry surge aqui como um herói diferente do pistoleiro convencional.

Não precisa de matar ninguém para demonstrar coragem. Não precisa de derrotar um inimigo para alcançar uma vitória.

A sua vitória consiste em salvar uma vida e contribuir, ainda que por breves instantes, para aproximar pessoas separadas pela guerra e pelo preconceito.

As mulheres indígenas, por sua vez, conferem à história uma maturidade invulgar, demonstrando que a prudência, a compaixão e a sabedoria podem ser mais poderosas do que a vingança.

E há ainda aquele delicioso momento em que o nosso tenente, depois de escapar a tantos perigos, quase se vê encurralado por uma conversa sobre casamento!

É Blueberry na sua melhor tradição: corajoso, impulsivo, independente, generoso e sempre um pouco embaraçado quando os sentimentos entram em cena.

Eis uma história breve, sensível e com uma bela mensagem de tolerância, que acrescenta profundidade humana ao universo de Blueberry.

Num Oeste onde tantos homens lutam para conquistar terras, poder e riqueza, Blueberry limita-se a devolver uma criança à sua mãe. E talvez seja essa uma das suas mais belas vitórias.

Tudo seria diferente se o encontro fosse algo parecido com o que se segue:

 

 

 

sábado, 17 de outubro de 2026

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

BD1967. Uma aventura de Nosy Parker

Nosy Parker está longe de imaginar que entrou numa armadilha mortal. Durante uma viagem de comboio conhece um jovem vindo de Boston e ganha rapidamente a sua confiança, mas logo percebe que alguém o segue e tenta eliminá-lo a qualquer preço.

Em Rawhide, uma sucessão de emboscadas, tiros falhados e perseguições coloca Parker no centro de um mistério. Dois pistoleiros profissionais, Bentley e Lane, vigiam todos os seus passos, convencidos de que ele é o homem que procuram. Sem compreender quem deseja a sua morte nem porquê, Parker vê-se obrigado a lutar para sobreviver.

À medida que investiga, descobre a verdade: os assassinos confundiram-no com Will Ever, herdeiro de um grande rancho. O verdadeiro mandante é Warren, capataz ambicioso que pretende apoderar-se da propriedade eliminando o legítimo dono. Usando a semelhança entre Parker e Will, os criminosos lançaram uma caçada ao homem errado.

Com coragem, astúcia e uma boa dose de resistência, Nosy Parker enfrenta pistoleiros, desmonta a conspiração e ajuda a revelar o complô. No final, a justiça prevalece, os culpados são presos e Parker segue caminho, deixando atrás de si mais uma aventura resolvida — e a prova de que, no Oeste, a sobrevivência depende tanto da rapidez do gatilho como da clareza da mente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

BD1966. O caçador de Paris

Em plena Revolução Francesa (1794), o célebre químico Antoine Lavoisier é preso pelos revolucionários. Antes da sua queda, consegue avisar o seu discípulo e protegido, Ireneo Du Pont, para fugir de França. Seguindo as instruções do mestre, Ireneo atravessa perigosamente o país até alcançar um navio inglês que transporta fugitivos rumo à América.

No Novo Mundo, reencontra o pai, Henry Du Pont, comerciante de peles estabelecido nas colónias americanas. Entre caçadores, postos fronteiriços, territórios indígenas e a dura vida da fronteira, Ireneo adapta-se ao comércio das peles, faz amizade com homens como Billy e aproxima-se de Evy, filha do influente comerciante Donald Templer.

Mas a paixão de Ireneo continua a ser a química. Quando aceita trabalhar num laboratório ligado ao comércio de pólvora, descobre uma verdade inquietante: Templer vende aos colonos e caçadores uma pólvora defeituosa, colocando vidas em risco para aumentar os lucros.

O perigo torna-se realidade quando uma caravana de colonos é atacada pelos Delaware. As armas falham devido à má qualidade da pólvora, provocando um massacre devastador. Revoltado, Ireneo enfrenta Templer, denunciando a sua responsabilidade moral na tragédia.

Ao descobrir a verdade sobre o pai, Evy rompe com o mundo de ambição e mentira em que vivia. Juntos, ela e Ireneo escolhem abandonar a riqueza fácil e começar uma nova vida simples e honesta no interior, sustentada pelo trabalho, pela ciência e pelos valores que Lavoisier lhe transmitira.

Misturando aventura histórica, western de fronteira, drama moral e ciência, O Caçador de Paris acompanha a jornada de um homem dividido entre o legado da Revolução, a ética científica e a luta por uma vida justa.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

BD1965_A. Encontros de Blueberry. Chihuahua Pearl, a mulher que regressou sem voltar

E se, um dia, quando o peso dos anos lhe tivesse roubado a força e o tempo lhe tivesse levado quase todos os sonhos, Blueberry desejasse apenas voltar a encontrar a sua adorada Chihuahua Pearl?

Imaginemos, então, uma última cavalgada. Lado a lado, como tantas vezes haviam sonhado, atravessariam as planícies douradas do Oeste, enquanto o sol se despedia lentamente das montanhas.

«Vamos em frente, Chihuahua», diria ele, com aquela ternura que raramente deixava transparecer.

E ela sorriria, com os olhos cheios da luz de outros tempos.

Depois, à sombra de uma velha árvore, descansariam finalmente. Pearl encostaria a cabeça ao ombro do seu Mike e ele, acariciando-lhe os cabelos dourados, beijá-la-ia com a doçura de quem sabe que há instantes que valem uma eternidade.

O vento deixaria de soprar. Os pássaros calar-se-iam. Até o tempo pareceria suspender a sua marcha.

Uma névoa suave envolveria os dois amantes e, lentamente, como se o próprio céu os chamasse, as suas almas elevar-se-iam, de mãos dadas, sorridentes, libertas de todas as dores e de todas as saudades.

Lá em baixo ficariam os cavalos, a velha árvore e os caminhos poeirentos de um Oeste que nunca mais os veria passar.

Blueberry, que tantas vezes cavalgara ao encontro da morte, partiria agora ao encontro do amor, acompanhando a sua Chihuahua Pearl até ao País das Caçadas Eternas.

Esta não é a história que os seus criadores escreveram. É apenas a despedida que, por um instante, ousámos imaginar para duas personagens que aprendemos a amar.

Porque talvez exista, para além do último horizonte, uma pradaria onde o sol nunca se põe, onde os cavalos nunca se cansam e onde dois corações apaixonados podem finalmente descansar.

E, nessa pradaria sem fim, Mike e Pearl continuariam a cavalgar juntos. Para sempre.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

BD1965. Montana Blue em "Katryn"

 

Montana Blue está em São Francisco à procura do pai desaparecido, único homem que conhece o esconderijo do tesouro do imperador Maximiliano do México. A sua fama atrai o juiz mexicano Porfírio Giménez, que contrata o perigoso pistoleiro basco Patxi Ezquerra para encontrá-lo.

Ao mesmo tempo, chegam da Rússia a princesa Katryn Kamerdorff e seu tutor, o pintor francês Maurice Villot. Katryn procura desesperadamente seu noivo desaparecido, o príncipe Igor Vanin, dado como morto anos antes.

Ao encontrar Montana, a jovem acredita ter reencontrado Igor, pois ele é fisicamente idêntico ao príncipe. Maurice sabe que Igor morreu, mas teme que a verdade destrua a saúde frágil da princesa. Sensibilizado pela dor da jovem, Montana aceita representar o papel do homem que ela ama.

Enquanto Patxi e o juiz se aproximam, Marco, o fiel companheiro indígena de Montana, tenta protegê-lo. A perseguição culmina em violência, sacrifício e num duelo fatal entre Montana e Patxi.

Na esperança de devolver alguma felicidade a Katryn, Montana concorda em casar-se com ela. Porém, no último momento, a verdade acaba prevalecendo. Katryn compreende que ele não é Igor Vanin, mas reconhece que aquele estranho lhe devolveu a esperança e a capacidade de amar.

Ao amanhecer, Montana parte novamente para vaguear pelo Oeste ao lado de Marco, enquanto a princesa permanece com Maurice, guardando para sempre a lembrança do homem que, por alguns dias, lhe devolveu um sonho.


Temas da história

  • Identidade e destino: Montana torna-se alguém que não é para aliviar o sofrimento de outra pessoa.
  • Amor e ilusão: Katryn ama uma lembrança, mas acaba encontrando algo verdadeiro.
  • Honra: Montana, Marco e até o juiz demonstram diferentes formas de integridade.
  • Solidão do herói: Montana permanece um homem sem lar, sempre seguindo adiante.
  • A verdade e a compaixão: às vezes a mentira nasce não da maldade, mas da piedade.

É uma história curta, mas bastante madura. O final não oferece um “felizes para sempre”, e justamente por isso permanece na memória: Katryn perde Igor pela segunda vez, e Montana continua seu o caminho, levando consigo apenas a lembrança de um amor que nunca pôde ser realmente seu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

BD1964_B. Encontros de Blueberry. Pearl

Chihuahua Pearl — Uma mulher de armas que não precisa de ser salva!

Na história que apresentamos retirada de No rasto de Blueberry, há qualquer coisa de irresistível na maneira como a nossa adorada Chihuahua Pearl entra em cena para salvar o seu querido Mike Steve Blueberry. E não me refiro apenas à sua beleza, ao vestido vermelho ou àquela atitude provocadora que tão bem a caracteriza. Refiro-me, sobretudo, à extraordinária combinação de coragem, inteligência, descaramento e temperamento explosivo que faz dela uma das personagens femininas mais fascinantes do universo de Blueberry.

Porque, convenhamos, o nosso tenente encontra-se numa situação pouco digna da sua reputação! Apanhado por três patifes, desarmado, com uma corda ao pescoço e à mercê de sujeitos que não primam pela inteligência, Blueberry está muito longe da imagem do herói invencível que habitualmente conhecemos.

E quem aparece para resolver o problema? Naturalmente, Pearl!

Uma entrada triunfal

O primeiro mérito de Pearl está na maneira como domina imediatamente a situação. Em vez de se deixar intimidar pelos três mexicanos, enfrenta-os com uma segurança desconcertante. Não precisa de levantar a voz nem de fazer grandes ameaças. A sua simples presença altera o equilíbrio de forças.

E há um pormenor delicioso: antes de se preocupar verdadeiramente com os bandidos, Pearl encontra tempo para censurar Blueberry por ter faltado ao seu espetáculo!

É uma reação perfeitamente coerente com a personagem. Para Pearl, salvar a vida ao homem de quem gosta não significa abdicar do direito de lhe dar uma valente reprimenda.

O amor é uma coisa. A pontualidade é outra!

A inteligência por detrás da sedução

A sequência em que Pearl enfrenta os três malfeitores é particularmente divertida.

Os bandidos, convencidos de que estão perante uma mulher indefesa, cometem o erro fatal de confundir feminilidade com fraqueza. Quando exigem que lhes mostre o que esconde debaixo do vestido, julgam ter encontrado uma oportunidade para se divertirem.

Mas Pearl percebe imediatamente como transformar a arrogância deles numa armadilha.

A sua resposta — «BOM, JÁ QUE INSISTEM...» — é uma pequena obra-prima de ironia.

Os homens esperam um espetáculo de pernas e rendas. Pearl prepara-lhes um espetáculo de pólvora!

O mais interessante é que ela não vence pela força física, mas pela rapidez de raciocínio. Conhece perfeitamente a maneira como aqueles homens pensam e utiliza essa previsibilidade contra eles.

É uma demonstração magnífica de sangue-frio, ousadia e inteligência prática.

Uma pistoleira à altura de Blueberry

Quando Pearl finalmente saca da arma, a situação inverte-se num instante.

Aqueles três valentões, que momentos antes se divertiam à custa de um homem prestes a ser enforcado, descobrem que escolheram a mulher errada para as suas brincadeiras.

E Pearl não hesita.

O seu desempenho tem uma qualidade particularmente interessante: ela age com a mesma determinação que admiramos em Blueberry, mas sem perder a personalidade própria.

Não se transforma numa versão feminina do tenente. Continua a ser Chihuahua Pearl, com toda a sua elegância, irreverência e teatralidade.

O vestido vermelho, as luvas, as plumas e a beleza exuberante não são obstáculos à sua coragem. Fazem parte dela.

E depois do salvamento... o castigo!

É aqui que a história atinge, para mim, o seu ponto mais divertido.

Blueberry está salvo. Os bandidos foram neutralizados. Seria de esperar um reencontro romântico, talvez um abraço apaixonado, algumas palavras ternurentas...

Mas estamos a falar de Chihuahua Pearl!

A nossa heroína não esqueceu que Mike faltou ao espetáculo.

Primeiro, trata-o com uma doçura suspeita, prometendo-lhe um banho quente e muitos mimos. Blueberry, naturalmente, parece acreditar que o pior já passou.

Pobre ingénuo!

O estalo que se segue é tão inesperado quanto delicioso.

E, para completar a vingança, Pearl parte a cavalo, levando o seu amado atrás, preso pela corda, enquanto canta alegremente:

«I AM A POOR LONESOME COW-GIRL...»

É uma conclusão verdadeiramente saborosa, porque inverte por completo os papéis tradicionais do western. O grande aventureiro, capaz de enfrentar exércitos e pistoleiros, acaba reduzido à condição de acompanhante involuntário de uma mulher que não admite ser contrariada.

E a verdade é que Blueberry nunca parece tão vulnerável como quando enfrenta o temperamento de Pearl!

Apreciação final

Esta pequena aventura funciona como uma excelente homenagem ao universo criado por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud. O humor, a ação, os diálogos provocadores e a cumplicidade conflituosa entre os protagonistas recuperam muito do espírito que tornou estas personagens inesquecíveis.

Mas a grande vencedora é, indiscutivelmente, Chihuahua Pearl.

A personagem não se limita a desempenhar o papel convencional da mulher apaixonada que corre em auxílio do seu homem. É ela quem toma a iniciativa, controla os acontecimentos, humilha os adversários e ainda encontra maneira de ajustar contas com Blueberry.

Há também uma dimensão afetiva por detrás de toda aquela fúria. Pearl está zangada porque Mike lhe importa. A sua irritação, por mais exagerada que seja, revela uma relação feita de atração, cumplicidade, desencontros e uma permanente disputa de vontades.

Pearl salva Blueberry dos bandidos, mas não o salva das consequências de a ter deixado à espera.

E talvez seja precisamente isso que torna esta história tão encantadora.

Porque, no fundo, Blueberry pode ser o melhor pistoleiro do Oeste, mas há uma batalha que dificilmente conseguirá vencer: aquela que trava com o coração e com o génio de Chihuahua Pearl.

E digo mais: depois de ver a nossa adorada Pearl em ação, quase dá vontade de agradecer aos três patifes por terem cometido a imprudência de se meterem com Blueberry. Sem eles, teríamos perdido uma das mais divertidas demonstrações de que, neste casal, quem manda verdadeiramente é ela!

Mas o desfecho podia ser bem diferente… tal como veem nesta página.

domingo, 11 de outubro de 2026

BD1964_A. Encontros de Blueberry. Cartland

Amizades inesperadas... e paixões inevitáveis!

Novembro de 1865. A Guerra de Secessão terminou, mas o Oeste americano continua a reservar surpresas ao tenente Mike Steve Blueberry.

A caminho do Forte Mescalero, uma simples paragem junto a um riacho transforma-se num encontro inesperado com Jonathan Cartland, um homem que conhece e respeita profundamente a natureza. Entre um tiro certeiro, uma refeição partilhada e uma conversa junto à fogueira, nasce uma amizade entre dois aventureiros que, apesar das diferenças, têm muito em comum.

Mas os encontros de Blueberry nem sempre são tão tranquilos...

Algures no seu caminho espera-o também uma certa Chihuahua Pearl, bela, impetuosa e imprevisível, capaz de lhe salvar a vida com a mesma facilidade com que lhe dá uma bofetada!

Porque, no Oeste, os perigos nem sempre vêm de quem aponta uma arma... e os encontros mais perigosos podem ser aqueles que fazem bater o coração!

Hoje dedicamo-nos ao encontro com Cartland. Podia ser como na imagem que segue, mas o relato que o álbum nos dá é um tanto diferente e implicou o sacrifício de um animal.

Encontra em seguida um pequeno pedaço do álbum que nos levou a imaginar este Encontro

sábado, 10 de outubro de 2026

BD1964. A grande aventura... por mares nunca dantes navegados

 

"O Mestre de Avis e a Fundação de Portugal Moderno" acompanha um dos períodos mais decisivos da História de Portugal: a crise sucessória de 1383-1385, que colocou em risco a independência do reino e conduziu ao nascimento da Dinastia de Avis.

A narrativa inicia-se nos últimos anos do reinado de D. Fernando I. Sem herdeiro masculino, o monarca deixa como sucessora a filha, D. Beatriz de Portugal, casada com o rei de Castela. A possibilidade de Portugal perder a sua autonomia provoca crescente inquietação entre a população e parte da nobreza.

O descontentamento agrava-se devido à influência exercida por Leonor Teles e pelo seu favorito, João Fernandes Andeiro, cuja relação é vista por muitos como escandalosa e prejudicial aos interesses nacionais. Após a morte de D. Fernando, Leonor Teles assume a regência, mas enfrenta uma oposição cada vez mais forte.

Nesse contexto emerge a figura do João I de Portugal, filho ilegítimo de D. Pedro I e Mestre da Ordem de Avis. Apoiado pelo povo de Lisboa, por sectores da burguesia e por alguns nobres, lidera a resistência contra a influência castelhana. O assassinato do Conde Andeiro marca o início aberto da revolta.

A crise evolui para uma guerra pela independência. Enquanto Castela invade Portugal para impor os direitos de D. Beatriz ao trono, o Mestre de Avis reúne apoios e vê a sua causa fortalecida pela acção de figuras como Nuno Álvares Pereira. As vitórias portuguesas culminam na decisiva Batalha de Aljubarrota, onde um exército numericamente inferior derrota as forças castelhanas.

Após a vitória, o Mestre de Avis é aclamado rei como D. João I, inaugurando uma nova dinastia. A obra termina mostrando como a estabilidade alcançada permitiu a Portugal iniciar uma nova etapa histórica. Sob os reis de Avis surgem as condições políticas, económicas e culturais que conduziriam à expansão marítima portuguesa, aos Descobrimentos e à construção de um império ultramarino.

Temas centrais

  • Defesa da independência nacional.
  • Legitimidade do poder e sucessão dinástica.
  • Conflito entre interesses pessoais e bem comum.
  • O papel do povo na História.
  • A fundação da Dinastia de Avis como origem de uma nova era.

Final histórico

O encerramento da série parece seguir a interpretação clássica de José Garcês: a crise de 1383-1385 não foi apenas uma guerra sucessória, mas o momento fundador do Portugal moderno. A vitória de Avis assegurou a independência do reino e abriu caminho à geração que, algumas décadas mais tarde, lançaria as grandes viagens oceânicas e a epopeia dos Descobrimentos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

BD1963. Vance Flanagan em "Em busca do passado"

“Em Busca do Passado” começa como um western clássico de estrada e mistério: um cavaleiro solitário encontra um homem ferido no deserto, sem memória e perseguido apenas pela sombra de um nome temido, Clip Hite, fora-da-lei procurado por homicídio. A partir daí, a narrativa transforma-se numa travessia moral pelas pequenas povoações poeirentas do Oeste, onde cada pergunta desperta suspeitas, medo e violência.

Mas por baixo da aventura de cavalos, emboscadas e revólveres, a história trabalha um tema mais profundo: a fragilidade da identidade humana. O homem amnésico vive dividido entre aquilo que os outros dizem que ele é e aquilo que sente não conseguir reconhecer em si próprio. A dúvida corrói-o lentamente: poderá um homem ser culpado sem memória dos seus actos? E continuará a ser o mesmo homem quando perde o passado?

Vance Flanagan, figura típica do herói errante do western, ocupa uma posição moral difícil. Entre a compaixão pelo desconhecido e o dever perante a lei, avança pela história como uma consciência inquieta, incapaz de abandonar um homem indefeso, mas igualmente incapaz de ignorar a possibilidade de estar perante um assassino.

A revelação final, a existência de dois irmãos gémeos, um ranger e outro bandido, introduz uma dimensão quase trágica e simbólica. O conflito deixa então de ser apenas policial para se tornar moral: dois homens fisicamente iguais representam caminhos opostos, como se o Oeste fosse também um território onde cada homem combate continuamente aquilo em que se pode transformar.

Com ecos do western clássico americano e do folhetim popular europeu, “Em Busca do Passado” mistura aventura, fatalismo e redenção num universo de poeira, silêncio e desconfiança, onde um simples erro de identidade pode decidir o destino de uma vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

BD1962. Violência em Santo António

No coração árido do Texas, Harry Tower atravessa o deserto em busca do irmão, Tony, que lhe escrevera cartas entusiásticas sobre as maravilhas de Santo António e sobre o rancho próspero que ali construíra. Porém, ao chegar quase morto àquela terra prometida, Harry descobre uma realidade sombria: Tony foi acusado de assassínio e enforcado pela justiça local.

Resgatado no deserto pelo respeitado juiz Mortimer e pela sua bela filha Susan, Harry ignora que caiu nas mãos dos próprios responsáveis pela morte do irmão. Corrompido por dívidas de jogo e manipulado pelo cruel Timssen, Mortimer participara numa conspiração destinada a apoderar-se do rancho dos Tower. Para garantir o silêncio da verdade, Harry é acusado do mesmo crime e condenado à forca.

Mas Susan Mortimer, dilacerada entre o amor filial e a consciência moral, acaba por descobrir a terrível conspiração. Convencida da inocência de Harry, ajuda-o a escapar da prisão, iniciando uma perigosa luta contra homens poderosos, assassinos sem escrúpulos e uma justiça corrompida pelo dinheiro.

Entre perseguições, emboscadas e revelações dramáticas, Harry procurará limpar o nome do irmão e enfrentar os verdadeiros culpados. Contudo, no caminho da vingança descobrirá que o mal nasce muitas vezes da fraqueza humana e que até os homens honrados podem cair quando o medo e a ambição lhes dominam a alma.

Misturando aventura, tragédia e romance, “Violência em Santo António” é um western clássico sobre culpa, redenção, corrupção e esperança, onde o amor surge como única luz possível no meio da violência e da solidão do Oeste.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

BD1961. Bessy em "Lobo e Blanca"

.Se procurarmos nesta aventura apenas a perseguição, os tiros, os uivos e a luta entre homens e lobos, ficaremos pela rama da história. Mas, lida com olhos atentos, ela encerra um drama mais fundo, muito próximo daquele que Miguel Torga tantas vezes encontrou na serra: o conflito eterno entre a liberdade selvagem e a ordem dos homens.

Lobo e Branca não são monstros. São criaturas da terra, obedecendo à lei antiga da sobrevivência. Caçam porque têm fome, fogem porque são perseguidos e lutam porque a natureza não lhes concedeu outra forma de existir. Os homens, por sua vez, defendem o seu gado, as suas casas e a sua tranquilidade. Nenhum dos lados é verdadeiramente culpado. Cada um cumpre o destino que lhe foi imposto.

É Bessy quem ocupa o lugar mais trágico da narrativa. Entre os homens que a criaram e os lobos que aprendeu a compreender, ela vive dividida. O seu drama não é o da força, mas o da fidelidade. Ama os homens, mas reconhece nos lobos uma fraternidade mais funda, feita de instinto e sofrimento. Por isso sofre quando os vê perseguidos, e sofre igualmente quando os vê ameaçar aqueles a quem pertence.

Miguel Torga talvez visse nela a imagem do próprio homem: um ser suspenso entre a civilização e a natureza, incapaz de renunciar completamente a qualquer delas. Como o médico-escritor transmontano tantas vezes mostrou, há na vida rural uma grandeza silenciosa que nasce precisamente desse confronto. O lobo representa a liberdade indomável; o rancho representa a segurança e a lei. Entre ambos, Bessy procura uma impossível reconciliação.

O desfecho é revelador. Não há vitória triunfal nem derrota absoluta. Os lobos sobrevivem e regressam à sua condição errante. Os homens conservam a paz do seu território. E Bessy fica a contemplar a partida dos seus antigos companheiros, como quem percebe que certos afetos não podem ser possuídos nem aprisionados.

A aventura termina, mas deixa uma melancolia discreta. A mesma melancolia que atravessa muitas páginas de Torga: a consciência de que a natureza não conhece vencedores, apenas seres que lutam, resistem e continuam caminho. Os lobos desaparecem na distância, e nós ficamos com a sensação de que pertencem mais à montanha do que a qualquer história. Porque, no fundo, a liberdade é sempre uma estrada que se perde no horizonte.

Nota: por "acidentes de percurso", por vezes, o nome da loba aparece como "Branca" outras como "Blanca".

sábado, 3 de outubro de 2026

BD1960. Uma aventura do Zorro. A raposa e o fantoche

 

 Mais uma aventura do Zorro, esta publicada no fascículo 238 do Jornal da BD com o título "A raposa e o fantoche". Claro que se imagina facilmente quem jogam estes papéis.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

BD1959. Guilherme Tell em "O delator"

Quando um grupo de patriotas suíços cai nas mãos dos homens do cruel governador Gessler, a resistência vê-se ameaçada por uma execução iminente. Entre os capturados encontra-se um aliado precioso, cuja perda poderá destruir os planos dos rebeldes.

Apesar da vigilância cerrada dos soldados austríacos, Guilherme Tell recusa abandonar os companheiros. Com a ajuda do inseparável Kent, organiza uma missão arriscada para penetrar em território inimigo, seguir as patrulhas e descobrir onde os prisioneiros são mantidos.

Disfarces, emboscadas, perseguições por florestas e ataques surpresa transformam a operação num verdadeiro jogo de astúcia e coragem. Cada passo pode significar a captura — ou a morte. Enquanto o inimigo aperta o cerco, Tell terá de usar não apenas a espada, mas também a inteligência e o conhecimento dos caminhos secretos das montanhas suíças.

Quando chega finalmente a hora da libertação, uma traição inesperada quase compromete todo o plano. Seguem-se combates ferozes, fugas desesperadas e um confronto decisivo contra os agentes de Gessler.

Mas “O Resgate” é mais do que uma aventura de ação: é uma história sobre amizade, lealdade e sacrifício, mostrando um Guilherme Tell mais humano, disposto a arriscar tudo para salvar os seus companheiros e manter viva a luta pela liberdade da Suíça.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

BD1958. Guilherme Tell em "A prisão de Kent"

Depois de uma longa campanha contra a tirania de Gessler, Guilherme Tell e o seu aliado Kent regressam às montanhas suíças. Exaustos mas determinados, retomam a resistência clandestina em defesa do povo.

Durante uma caçada, Kent afasta-se do grupo e acaba capturado pelos homens de Gessler, que o conduzem prisioneiro para o castelo. Os soldados acreditam ter finalmente eliminado uma peça importante da rebelião — mas subestimam o velho herói suíço.

Embora envelhecido, Guilherme Tell recusa abandonar o companheiro. Sozinho, infiltra-se em florestas, segue rastos, observa patrulhas inimigas e planeia um ousado resgate. Disfarçado e recorrendo à astúcia, aproxima-se do acampamento inimigo para libertar Kent durante a noite.

Quando a fuga parece possível, o plano é descoberto. Seguem-se perseguições a cavalo, emboscadas e violentos combates corpo-a-corpo entre os rebeldes e os soldados de Gessler. Tell precisa de improvisar continuamente para salvar o amigo e escapar ao cerco.

A aventura termina com os heróis novamente em liberdade, mas conscientes de que a luta está longe de acabar. É precisamente desse desfecho que nasce a história seguinte, “O delator”, onde uma denúncia ameaça destruir a confiança dentro da resistência.

BD1957. Kit Carson

A narrativa acompanha a vida de Christopher “Kit” Carson, um dos mais famosos exploradores, caçadores e guias do Oeste americano.

Órfão desde criança, Kit cresce no Missouri como aprendiz de artesão, mas cedo abandona a vida sedentária, fascinado pela fronteira selvagem. Ainda adolescente, junta-se a caravanas comerciais rumo ao Oeste, aprendendo os ofícios da sobrevivência: conduzir mulas, caçar, falar línguas indígenas e viver em territórios hostis.

Ao longo dos anos, Carson torna-se caçador, explorador e intérprete, convivendo com várias nações indígenas (cheyennes, arapahos, delawares, apaches) vivendo tanto conflitos armados como alianças improváveis. Participa em expedições perigosas, emboscadas, perseguições e campanhas militares, consolidando a reputação de homem duro, conhecedor do deserto e da cultura indígena.

A sua fama cresce quando passa a servir de guia nas expedições de John C. Frémont, ajudando na exploração da Califórnia e do Sudoeste americano durante um período turbulento marcado pela guerra entre os Estados Unidos e o México.

Paralelamente, a história mostra o lado humano de Carson: os seus casamentos, perdas familiares, amizades, crises pessoais e o contraste entre a violência da fronteira e o desejo de estabilidade.

Nos últimos anos, Kit Carson serve como militar e agente governamental junto de tribos indígenas, continuando a atuar no Oeste até à sua morte, em 1868. A revista retrata-o como uma figura lendária, símbolo do espírito aventureiro e contraditório da conquista do Oeste americano.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...