Esta pequena aventura de No Rasto de Blueberry merece
ser apreciada não pela quantidade de ação que apresenta, mas pela qualidade
humana da sua mensagem.
Blueberry surge aqui como um herói diferente do pistoleiro
convencional.
Não precisa de matar ninguém para demonstrar coragem. Não
precisa de derrotar um inimigo para alcançar uma vitória.
A sua vitória consiste em salvar uma vida e contribuir,
ainda que por breves instantes, para aproximar pessoas separadas pela guerra e
pelo preconceito.
As mulheres indígenas, por sua vez, conferem à história uma
maturidade invulgar, demonstrando que a prudência, a compaixão e a sabedoria
podem ser mais poderosas do que a vingança.
E há ainda aquele delicioso momento em que o nosso tenente,
depois de escapar a tantos perigos, quase se vê encurralado por uma conversa
sobre casamento!
É Blueberry na sua melhor tradição: corajoso, impulsivo,
independente, generoso e sempre um pouco embaraçado quando os sentimentos
entram em cena.
Eis uma história breve, sensível e com uma bela mensagem de
tolerância, que acrescenta profundidade humana ao universo de Blueberry.
Num Oeste onde tantos homens lutam para conquistar terras,
poder e riqueza, Blueberry limita-se a devolver uma criança à sua mãe. E talvez
seja essa uma das suas mais belas vitórias.
Tudo seria diferente se o encontro fosse algo parecido com o
que se segue:


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