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quinta-feira, 30 de julho de 2026

BD1935. Coleção Ciclone, 66. JOhnny Galaxia em "O castelo de Irás e não Voltarás"

Ó leitor curioso, que ousas levantar o véu deste cenário de astros e solidões, detém-te um instante, não para temer, mas para compreender a quarta aventura publicada no Ciclone 66. Porque diante de ti não está apenas uma fantasia de mundos distantes, mas a projeção ampliada da eterna inquietação humana: o desejo de partir, de conquistar, de saber… e, talvez, de não voltar.

Johnny Galaxia, nome que ressoa como promessa e como destino. Quem é ele, senão esse cavaleiro moderno que trocou o cavalo pelo vácuo infinito, e a espada pelo engenho frio das armas de um tempo sem fronteiras? Vede-o, firme sobre o solo estranho, olhando ao longe aquele castelo impossível, erguido como desafio à razão e à coragem. Que força o chama? Que mistério o prende?

Ah! quantas vezes o homem, na sua ânsia de ultrapassar limites, se lança por caminhos donde não há regresso! E, contudo, é nesse risco, nesse abismo entre o querer e o poder, que reside a grandeza. Não será o tal castelo, suspenso entre a lua e o silêncio, uma metáfora dessas ambições que nos elevam e nos perdem?

Segue, pois, esta aventura, leitor amigo, não como quem busca mero entretenimento, mas como quem se aproxima de um espelho distante. Porque, entre estrelas e sombras, talvez reconheças, disfarçado de herói, o próprio espírito humano, inquieto, indomável, eternamente dividido entre o impulso de avançar… e o pressentimento de nunca mais regressar.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

BD1932. Coleção Ciclone, 66. Nosy Parker em "Eu também conheci Nosy Parker"

Esta é a terceira história incluída no Ciclone 66. Uma aventura de um quase desconhecido, Nosy Parker. 

Nosy Parker! 

Nome que soa leve, quase jocoso, e contudo, que abismo encerra! Pois não é nas horas de maior risco que o verdadeiro caráter se revela, como o ouro no cadinho ardente?

Vede-o ali, entre sombras e tábuas, erguido contra o perigo como quem responde a um chamamento antigo, talvez inscrito no mais fundo da sua natureza. Três homens, três ameaças, e, ainda assim, não recua. Quem diria? Quem ousaria prever que naquele semblante, outrora tido por indeciso, ardia já o fogo secreto da coragem?

Assim é o homem, leitor amigo: um enigma que só o instante extremo decifra. E nós, pobres julgadores do quotidiano, quantas vezes erramos o veredito, antes que a vida nos apresente a prova!

Segue, pois, esta história, não como mero entretenimento, mas como lição. Porque, no fim, talvez descubras que Nosy Parker não é apenas um nome impresso, mas um espelho, onde cada um de nós poderá, um dia, reconhecer-se.


 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

BD1929. Coleção Ciclone, 66. Lonely Rock em "O fantasma do enforcado"

Esta é a segunda aventura de Lonely Rock inserida no Ciclone 66. 

Naquela rua que não conheço, mas que reconheço como se nela tivesse vivido uma infância que nunca tive, há homens parados diante de outro homem que também está parado. E toda a tragédia consiste nisto: ninguém avança, e contudo tudo já aconteceu.

Interrogam-no sobre o fantasma do enforcado.
Mas o que é um fantasma senão a persistência de uma injustiça na memória dos outros?

Veemque empunha um revólver e essa simples incongruência basta para desfazer o medo em raciocínio, não fosse o homem um animal que prefere o terror à explicação. Porque um fantasma com arma é apenas um homem com história. E talvez seja isso que mais assusta: não o sobrenatural, mas o passado que regressa armado.

Imagino o cadáver desaparecido do cadafalso. Não o vejo a levantar-se, isso seria demasiado claro, mas antes a faltar, como faltam as certezas quando as procuramos. E dessa ausência nasce tudo: o rumor, a lenda, a inevitabilidade de que alguém pagará por algo que nunca chegou a ser compreendido.

Os homens que observam, chapéus baixos, olhos semicerrados, não esperam apenas um tiro. Esperam confirmação. Querem saber se o mundo ainda obedece às regras simples: vida, morte, culpa, castigo. Mas o homem de costas, esse que enfrenta todos, já não pertence a essas regras. É mais ideia do que corpo.

Talvez nunca tenha havido fantasma algum.
Talvez o enforcado não tenha morrido.
Ou talvez todos ali estejam mortos de antemão, condenados pela necessidade de acreditar numa história que lhes dê sentido.

E eu, que nada tenho que ver com aquela rua, sinto contudo que também ali estou, não entre os homens, mas entre as dúvidas. Porque toda a vida é isto: um cadafalso de certezas de onde desaparece, inesperadamente, aquilo que julgávamos definitivo.

E ficamos, como eles, à espera do disparo que nos explique.

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

BD1926. Coleção Ciclone, 66. Lonely Rock em "Armadilha para um inocente"

 

O Ciclone 66 traz-nos quatro aventuras que vamos apresentar ao longo das prócximas semanas. Mas a primeira obriga-nos a refletir.
Não há maior desgraça, leitor, do que aquela em que a verdade se dissolve, não por mentira, mas por excesso de versões. 
Naquela noite, noite sem nome, como tantas que fazem história, houve vinho, houve palavras mais duras que o costume, e houve, sobretudo, o velho impulso humano de se meter onde não é chamado. 
Assim entrou Tom Morrow na contenda: não como culpado, mas como instrumento. Lutou e talvez nem soubesse contra quem. E quando o braço se ergueu, e o ferro falou, já não era vontade que o guiava, mas instinto. 
Porque o homem, quando cercado, não raciocina, defende-se. Eis senão quando, no auge do tumulto, alguém, mão invisível, consciência ausente, apaga a luz. Oh! fatal instante esse, em que a escuridão não é ausência de claridade, mas nascimento de todas as culpas. 
Quem viu? 
Quem sabe? 
Quem pode jurar o que ali se passou? Mas a luz voltou e com ela, não a verdade, mas a autoridade. “Considera-te preso!” — disse-se. E assim se faz justiça, muitas vezes: não pelo que se prova, mas pelo que convém concluir.
Mas será que as coisas ficarão assim? A última palavra é de Lonely Rock.

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