terça-feira, 29 de setembro de 2026

BD1956. Kozakovich & Connors em "As mulheres negras"

No rescaldo da Primeira Guerra Mundial, enquanto o Império Otomano se desfaz e a Anatólia arde sob a invasão grega, um grupo de aventureiros, mercenários e traficantes de armas cruza-se com a revolução nacionalista liderada por Mustafa Kemal.

Max, Connors e Kozakovich vivem de guerras, fronteiras e negócios obscuros. Contratados para transportar um enorme carregamento de armas destinado às forças kemalistas, acabam envolvidos numa marcha desesperada através da Anatólia devastada. Sem animais para puxar as carroças, são as mulheres das aldeias destruídas — viúvas, mães e camponesas vestidas de negro — que assumem o impossível: arrastar toneladas de munições rumo a Angora, movidas apenas pela dor, pela fome e pela esperança de recuperar a dignidade perdida.

À medida que a caravana avança sob o sol impiedoso, a guerra revela o seu verdadeiro rosto:
emboscadas,
massacres,
mortes anónimas,
heroísmo sem glória
e homens obrigados a confrontar o vazio moral da violência.

Entre batalhas e fugas, os aventureiros descobrem que aquelas mulheres silenciosas possuem mais coragem do que todos os soldados armados. E percebem também que, por trás das bandeiras e discursos patrióticos, a guerra é feita sobretudo de seres humanos tentando sobreviver ao insuportável.

Anos depois, já terminada a guerra que daria origem à Turquia moderna, resta apenas a memória:
uma mulher incapaz de abandonar o perigo,
uma amizade masculina escondida sob ironias,
e a sensação amarga de que certos homens jamais conseguem regressar à vida comum.

Porque há pessoas contaminadas por uma doença incurável:
a aventura.

 

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